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Jejum de Ekadasi todas histórias 2


 

17 KAMIKA EKADASHI

 

Maharaja Yudhisthira disse: "ó Senhor Supremo, ouvi de ti as glórias de jejuar no Deva-shayani Ekadashi, que ocorre durante a parte clara do mês de Ashadha. Agora gostaria de ouvir sobre o Ekadashi que ocorre durante a quinzena obscura do mês de Shravana (jul/ago). ó Govinda, por favor seja misericordioso para comigo e explique suas glórias. ó Vasudeva, ofereço minhas humildes reverências a Ti."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, respondeu: "ó rei, por favor ouça atentamente enquanto descrevo a influência auspiciosa deste sagrado dia de jejum, que remove todos pecados. Narada Muni certa vez perguntou ao Senhor Brahma sobre este mesmo tópico: "ó regente de todos" disse Naradaji, "ó ser que sentas sobre um trono de lótus, por favor conta-me o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena obscura do mês de Shravana. Por favor também conta-me qual Deidade é adorada neste sagrado dia, qual processo se deve seguir para observá-lo, e que mérito concede."

 

O Senhor Brahma respondeu: "Meu querido filho Narada, para benefício de toda humanidade, de bom grado contarei tudo que desejas saber, pois apenas ouvir as glórias de Kamika Ekadashi confere mérito igual ao obtido por quem realiza um sacrifício de cavalo. Certamente, grande mérito é obtido por quem adora, e também medita nos pés de lótus do Senhor Gadadhara de quatro braços, que segura uma concha, disco, maça e lótus em Suas mãaos e que também é conhecido como Sridhara, Hari, Vishnu, Madhava, e Madhusudana. E as bençãos obtidas por uma pessoa que adora o Senhor Vishnu exclusivamente são bem maiores que aquelas obtidas por quem toma um banho sagrado no Ganges em Kashi (Varanasi), na floresta de Naimisharanya, ou em Pushkara, onde sou adorado. (1) Mas quem observa Kamika Ekadashi e também adora o Senhor Sri Krishna obtém maior mérito do que quem obtém darshana do Senhor Kedaranatha nos Himalayas, ou quem se banha em Kurukshetra durante um eclipse solar, ou quem doa a Terra toda como caridade, inclusive suas florestas e oceanos, ou quem se banha nos Rios Gandaki ou Godavari num dia de lua cheia que caia numa segunda-feira quando Leão e Júpiter estão em conjunção.

 

Observar Kamika Ekadashi confere o mesmo mérito que doar uma vaca leiteira e seu bezerro, junto com a alimentação deles. Neste dia, quem quer que adore o Senhor Sridhara-deva, Vishnu, é glorificado pelos semideuses, Gandharvas, Pannagas, e Nagas.

 

Aqueles que tem medo de seus pecados passados e estão completamente imersos na vida material pecaminosa, devem observar este melhor dos Ekadashis segundo sua capacidade e assim obter liberação. Este Ekadashi é o mais puro de todos dias e o mais poderoso para remover pecados, ó Narada. O próprio Senhor Sri Hari certa vez disse sobre este Ekadashi: "Quem jejua no Kamika Ekadashi obtém muito mais mérito que quem estuda todas literaturas espirituais."

 

Quem quer que jejue neste dia em particular, e permaneça acordado noite afora, nunca irá experimentar a ira de Yamaraja, a morte personificada. Quem quer que observe Kamika Ekadashi não terá de sofrer nascimentos futuros, e no passado muitos yogis que jejuaram neste dia foram ao mundo espiritual. Portanto deve-se seguir nos passos auspiciosos deles e observar estritamente um jejum neste Ekadashi.

 

Quem quer que adore o Senhor Hari com folhas de tulasi se liberta de toda implicação em pecado. De fato, vive intocado pelo pecado, assim como a folha de lótus, embora estando na água, não é tocada por ela. Quem quer que ofereça a Sri Hari ainda que uma só folha de uma árvore tulasi obtém tanto mérito quanto alguém que dá em caridade duzentas gramas de ouro e oitocentas gramas de prata. A Suprema Personalidade de Deus fica mais satisfeito com quem oferece a Ele uma única folha de tulasi que por alguém que O adore com pérolas, rubis, topázios, diamantes, lápis-lazuli, safiras, gemas gomeda e olho-de-gato, e coral. Quem oferecer ao Senhor Keshava manjaris recém-brotados da sagrada planta tulasi se livra de todos pecados que cometeu durante esta e outras vidas pretéritas. De fato, o mero darshana de tulasi no Kamika Ekadashi remove todos pecados, e meramente tocá-la e orar a ela remove todos tipos de doença. Quem agua tulasi nunca precisa temer o senhor da morte. Quem planta ou transplanta tulasi eventualmente irá residir com o Senhor Krishna em Sua própria morada. Portanto para Srimati Tulasi-devi, que concede liberação em serviço devocional, devemos oferecer diariamente nossas plenas reverências.

 

Mesmo Citragupta, secretário de Yamaraja, não consegue calcular o mérito obtido por quem oferecce a Srimati Tulasi-devi uma lamparina perpetuamente acesa. Esse Ekadashi é tão querido pela Suprema Personalidade de Deus que todos antepassados de quem oferece uma luminosa lamparina de ghee ao Senhor Krishna neste dia, ascendem aos planetas celestiais e ali bebem néctar. Quem quer que ofereça seja uma lamparina de ghee, ou de óleo de gergelim para Sri Krishna neste dia, se liberta de todos seus pecados e entra na morada de Surya, o deus do sol, com um corpo tão brilhante como dez milhöes de lamparinas." (2)

 

"ó Yudhishthira" concluiu o Senhor Sri Krishna, "estas foram as palavras faladas pelo Senhor Brahma para Narada Muni sobre as incalculáveis glórias do Kamika Ekadashi, que remove todos pecados. Este sagrado dia nulifica até mesmo o pecado de matar um brahmana ou matar uma criança não-nascida no ventre, e promove a pessoa ao mundo espiritual por torná-la supremamente meritória. (2) Quem quer que ouça estas glórias de Kamika Ekadashi com fé se torna livre de todos pecados e retorna ao lar, de volta para Vishnu-loka."

 

Assim termina a narrativa das glórias de Shravana-krsna Ekadasi, ou Kamika Ekadasi, do Brahma-vaivarta Purana.

 

Notas:

 

(1) Em Pushkara-kshetra fica o único templo na terra em que se adora o Senhor Brahma formalmente.

 

(2) Este Ekadashi é tão poderoso que se quem não pode jejuar simplesmente seguir as práticas aqui mencionadas, será elevado aos planetas celestiais, junto com seus antepassados.

 

(3) Quem mata um brahmana, etc. e depois ouve as glórias do Kamika Ekadashi será aliviado da reação a seu pecado. Contudo, não se deve pensar de ante-mão que se pode matar um brahmana e depois passar sem castigo simplesmente por observar este Ekadashi. Cometer pecado sabendo disto é uma abominação.

 

18 PUTRADA EKADASHI

 

Yudhishthira Maharaja disse: "ó Madhusudana, ó matador do demônio Madhu, por favor seja misericordioso para comigo e descreve para mim o Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês de Shravana (jul/ago)." O Supremo Senhor Sri Krishna respondeu: "Sim, ó rei, de bom grado narrarei suas glórias para ti, pois apenas por ouvir sobre este sagrado Ekadashi já se obtém o mérito de realizar um sacrifício de cavalo.

 

No alvorecer da Dvapara-yuga, vivia um rei chamado Mahijita, que governava o reino de Mahismati-puri. Porque não tinha filho, seu reino inteiro parecia sem graça para ele. Um homem casado que não tem filho não tem felicidade nesta vida ou na próxima. (1) Durante longo tempo este rei tentou mui arduamente obter um herdeiro, sem sucesso. Vendo os anos avançando, o Rei Mahijita tornou-se cada vez mais ansioso. Certo dia disse para uma assembléia de seus conselheiros: "Não cometi nenhum pecado nesta vida, e não há nenhuma riqueza ilícita em meu tesouro. Nunca usurpei as oferendas aos semideuses ou brahmanas. Quando fiz guerra e conquistei reinos, segui as regras e regulaçöes da arte militar, e protegi meus súditos como se fossem meus próprios filhos. Puni até mesmo meus próprios parentes se transgredissem a lei, e se meu inimigo era gentil e religioso, dava-lhe as boas-vindas. ó almas duas-vezes nascidas, embora eu seja religioso e fiel seguidor dos padröes védicos, ainda assim meu lar está sem filho. Por gentileza me contem a razão disso."

 

Ouvindo isso, os conselheiros brahmanas do rei discutiram o assunto entre si, e com a meta de beneficiarem o rei visitaram os varios ashramas dos grandes sábios. Afinal chegaram a um sábio que era austero, puro, e auto-satisfeito, e que estava observando estritamente um voto de jejum. Seus sentidos estavam completamente sob controle, havia conquistado sua ira, e era perito em realizar seu dever ocupacional. De fato, este grande sábio era perito em todas conclusöes dos Vedas, e tinha aumentado seu tempo de vida até o do próprio Senhor Brahma. Seu nome era Lomasa Rishi, e conhecia o passado, presente e futuro. Depois que cada kalpa passava, caía um pelo de seu corpo. (2) Todos os conselheiros brahmanas do rei aproximaram-se muito contentes, um a um, para oferecer seus humildes respeitos.

 

Cativados por esta grande alma, os conselheiros do Rei Mahijita ofereceram suas reverências a ele e disseram mui respeitosamente: "Apenas por nossa grande boa fortuna tivemos permissão, ó sábio, de poder ver-te."

 

Lomasa Rishi os viu prestando-lhe reverências e respondeu: "Por gentileza, digam porque vieram até aqui. Porque estão me louvando? Preciso fazer tudo que puder para resolver seus problemas, pois sábios como eu só possuem um interesse: ajudar os outros. Não duvidem disso." (3)

 

Os representantes do rei disseram: "Viemos ver-te, ó exaltado sábio, para pedir tua ajuda para resolver um problema sério. ó sábio, és como o Senhor Brahma. De fato, não há melhor sábio no mundo inteiro. Nosso rei, Mahijita, está sem filho, embora tenha nos mantido e protegido como se fossemos seus filhos. Vendo-o assim tão infeliz devido a não ter filhos, ficamos muito tristes, ó sábio, e portanto entramos na floresta para realizar severas austeridades. Por nossa boa fortuna encontramos contigo. Os desejos e atividades de todos tem sucesso só por teu darshana. Assim humildemente pedimos que conte como nosso bondoso rei pode obter um filho."

 

Ouvindo esta súplica sincera, Lomasa Rishi absorveu-se em profunda meditação por um momento e de imediato compreendeu a vida pretérita do rei. Então disse: "Seu governante era um mercador na vida passada, e achando seus bens insuficientes, cometeu atos pecaminosos. Viajou a muitos vilarejos para trocar suas mercadorias. Uma vez, ao meio-dia depois do Ekadashi que vem durante a parte clara do mês de Jyeshtha, ficou com sede enquanto viajava de lugar em lugar. Chegou numa linda lagoa nas cercanias de um vilarejo, mas assim que estava para beber da lagoa, chegou ali uma vaca com seu bezerro recém-nascido. Ambas criaturas também estavam muito sedentas devido ao calor, mas quando a vaca e o bezerro começaram a beber, o mercador grosseiramente empurrou-os para o lado e egoistamente saciou sua própria sede. Esta ofensa contra uma vaca e seu bezerro resultou no fato de seu rei não ter filhos agora. Mas os bons atos que realizou em sua vida anterior lhe proporcionaram o governo sobre um reino sem perturbação."

 

Ouvindo isso, os conselheiros do rei responderam: "ó famoso rishi, ouvimos que os Vedas dizem que se pode nulificar os efeitos de nossos pecados anteriores, adquirindo mérito. Por gentileza, nos dê alguma instrução através da qual os pecados de nosso rei poderão ser destruídos; por favor dê sua misericórdia a ele, para que nasça um príncipe em sua família."

 

Lomasa Rishi disse: "Existe um Ekadashi chamado Putrada, que vem durante a quinzena clara do mês de Shravana. Neste dia todos vocês, inclusive seu rei, devem jejuar e ficar acordados a noite inteira, seguindo estritamente as regras e regulaçöes. Então devem dar ao rei qualquer mérito que tenham obtido por este jejum. Se seguirem estas minhas instruçöes, ele certamente será abençoado com um bom filho."

 

Todos conselheiros do rei ficaram muito contentes ao ouvirem estas palavras de Lomasa Rishi, e todos ofereceram suas gratas reverências. Então, com seus olhos brilhando de felicidade, retornaram para casa.

 

Quando o mês de Shravana chegou, os conselheiros do rei lembraram do conselho de Lomasa Rishi, e sob orientação deles, todos cidadãos de Mahismati-puri, bem como o rei, jejuaram no Ekadashi. E no dia seguinte, Dvadashi, os cidadãos fielmente ofereceram seu mérito acumulado a ele. Pela força de todo esse mérito, a rainha ficou grávida e eventualmente deu a luz um filho muito lindo.

 

"ó Yudhishthira", concluiu o Senhor Krishna, "O Ekadashi que vem durante a quinzena clara do mês de Shravana portanto com razão ficou famoso como Putrada ("que concede filhos"). Quem quer que deseje felicidade neste mundo e no próximo deve certamente jejuar de todos grãos e legumes neste dia sagrado. De fato, quem quer que simplesmente ouça as glórias de Putrada Ekadashi se torna completamente livre de todos pecados, será abençoado com um filho, e certamente ascende ao céu após a morte."

 

Assim termina a narrativa das glórias de Shravana-sukla Ekadasi, ou Putrada Ekadasi, do Bhavishya-uttara Purana.

 

Notas:

 

(1) A palavra sânscrita para "filho" é putra. Pu é o nome de determinado inferno, e tra singifica "salvar". Assim a palavra putra significa "pessoa que salva do inferno chamado Pu". Portanto todo homem casado deve produzir pelo menos um filho e treiná-lo devidamente; então o pai será salvo de uma condição infernal de vida. Mas esta injunção não se aplica aos devotos sérios do Senhor Vishnu ou Krishna, pois o próprio Senhor Se torna seu filho, pai, e mãe.

 

Além do mais Chanakya Pandita diz:

 

satyam mata pita jnanam

dharmo bhrata daya sakha

shantih patni kshama putrah

sadete mama vandhavah

 

"A verdade é minha mãe, o conhecimento é meu pai, meu dever ocupacional é meu irmão, a bondade minha amiga, tranquilidade minha esposa, e o perdão meu filho. Estes seis são membros de minha família." Entre as vinte e seis qualidades de um devoto do Senhor, o perdão é o máximo. Portanto os devotos devem fazer um esforço extra para desenvolver esta qualidade. Aqui Chanakya diz: "Perdão é meu filho" e assim o devoto do Senhor, embora possa estar na senda da renúncia, pode observar Putrada Ekadashi e orar por obter este tipo de "filho".

 

(2) Um kalpa ou doze horas do Senhor Brahma, igualam 4.320.000.000 anos.

 

(3) Lomasa Rishi tinha todas boas qualidades porque era um devoto do Senhor. Conforme declara o Srimad-Bhagavatam 5.18.12:

 

yasyasti bhaktir bhagavaty akincana

sarvair gunais tatra samasate surah

harav abhaktasya kuto mahad-guna

manorathenasati dhavato bahih

 

"Na pessoa cujo serviço devocional a Krishna é inabalável, todas boas qualidades de Krishna se manifestam consistentemente. Contudo, aquele que não possui devoção pela Suprema Personalidade de Deus não tem nenhuma qualificação boa porque através da criação mental se ocupa na existência material, que é a característica externa do Senhor."


19 AJA OU ANNADA EKADASI

 

Yudhishthira Maharaja disse: "ó Janardana, protetor de todas entidades vivas, por favor diga-me o nome do Ekadasi que ocorre durante a quinzena obscura do mês de Bhadrapada (ago/set)."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, respondeu: "ó rei, ouça com atenção. O nome deste Ekadashi que remove pecados é Aja ou Annada. Qualquer pessoa que jejue completamente neste dia e adore Hrsikesha, o senhor dos sentidos, torna-se livre de todas reaçöes a seus pecados. Até quem apenas ouve sobre este Ekadashi se livra de seus pecados passados. ó rei, não há dia melhor que este em todos mundos terrenos ou celestiais. Isto sem dúvida é verdade.

 

Uma vez vivia um famoso rei chamado Harishchandra, que era imperador do mundo e pessoa muito veraz e íntegra. O nome de sua esposa era Chandramati, e tinha um filho chamado Lohitashva. Pela força do destino, entretanto, Harishchandra perdeu seu grande reino e vendeu sua esposa e filho. O próprio rei piedoso tornou-se servente doméstico de um comedor de cachorros, que o fazia guardar um crematório. No entanto, mesmo fazendo um trabalho tão baixo, não abandonou sua veracidade e bom caráter, assim como o soma-rasa, quando misturado com algum outro líquido, não perde sua capacidade de conferir imortalidade.

 

O rei passou muitos anos nessa condição. Então certo dia pensou: "Que farei? Onde devo ir? Como posso ser salvo desta sina?" Desta forma ele estava sosobrando num oceano de ansiedade e sofrimento.

 

Certo dia um grande sábio calhou de passar por ali, e quando o rei o viu pensou contente: "Ah, o Senhor Brahma criou brahmanas só para ajudar os outros." Harishchandra prestou suas respeitosas reverências ao sábio, cujo nome era Gautama Muni. De palmas unidas, o rei postou se de pé diante de Gautama e narrou sua lamentável história. Gautama Muni ficou surpreso ao ouvir a triste estória do rei. Pensou: "Como esse rei foi reduzido a coletar roupas dos mortos!" Gautama teve muita compaixão por Harishchandra e instruiu-o no processo de jejuar para purificação.

 

Gautama Muni disse: "ó rei, durante a quinzena obscura do mês de Bhadrapada ocorre um Ekadashi especialmente meritório, chamado Aja ou Annada, que remove todos pecados. De fato, este Ekadashi é tão auspicioso que se simplesmente jejuares nesse dia e não realizares mais nenhuma austeridade, todos teus pecados serão nulificados. Por tua boa fortuna está chegando a data daqui a sete dias. Portanto induzo-te a jejuar nesse dia e permanecer acordado durante a noite. Se o fizeres, todas reaçöes de teus pecados passados chegarão ao fim. ó Harishchandra, vim aqui por causa de teus atos piedosos passados. Agora, toda boa fortuna a ti no futuro!" Dizendo isto, o grande sábio Gautama imediatamente desapareceu.


O rei Harishchandra seguiu as instruçöes de Gautama com relação a jejuar no sagrado dia de Aja Ekadashi. ó Yudhishthira, porque o rei jejuou nesse dia, as reaçöes a seus pecados passados foram completamente destruídas imediatamente. ó leão entre os reis, veja só a influência desse Ekadashi! Ele imediatamente vence quaisquer misérias que se esteja sofrendo como resultado de atividades pecaminosas anteriores. Assim, todas misérias de Harishchandra foram aliviadas. Apenas pelo poder desse maravilhoso Ekadashi ele foi reunido com sua esposa e filho, que tinham morrido porém agora voltavam à vida. No céu os semideuses começaram a tocar seus tímbales celestiais e choviam flores em Harishchandra, sua rainha e seu filho. Pelas bençãos do jejum de Ekadashi, ele recuperou seu reino sem dificuldade. Além do mais, quando o rei Harishchandra deixou este planeta, seus parentes e todos seus súditos foram com ele para o mundo espiritual.

 

ó Pandava, quem quer que jejue no Aja Ekadashi certamente se liberta de todos seus pecados e ascende ao mundo espiritual. E quem ouve e estuda as glórias deste Ekadashi consegue o mérito auferido por realizar um sacrifício de cavalo."

 

Assim termina a narrativa das glórias do Bhadrapada Ekadashi ou Aja Ekadashi do Brahma-vaivarta Purana.


20 PARIVARTINI, PARSVA OU VAMANA EKADASHI

 

Yudhisthira Maharaja perguntou ao Senhor Sri Krishna: "Qual o nome do Ekadashi que ocorre durante a parte iluminada do mês de Bhadrapada (agosto/setembro)? Quem é a Deidade adorável para esse Ekadashi, e que mérito se obtém por observá-lo? Tenha a bondade de revelar-me tudo isso."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, respondeu: "Esse Ekadashi, ó Yudhishthira, se chama Vamana Ekadashi ou ainda Parivartini Ekadashi, e concede grande mérito e liberação final do enredamento material. Portanto, porque remove todas reaçöes pecaminosas da pessoa, também se chama de Jayanti Ekadashi. Apenas ouvir as glórias deste Ekadashi já liberta de todos maus atos passados. Este jejum é tão auspicioso que observá-lo confere o mesmo mérito que de realizar um sacrifício de cavalo. Não há melhor Ekadashi que esse, porque concede a liberação tão facilmente. Portanto, a pessoa que deseja verdadeiramente libertar-se do mundo material, deve jejuar no Vamana Ekadashi.

 

Enquanto observa este jejum, o Vaisnava deve amorosamente adorar o Senhor Supremo em Sua forma de Vamanadeva, a encarnação anã, cujos olhos são como pétalas de lótus. Assim fazendo, estará adorando todas outras deidades também, inclusive Brahma, Vishnu, e Shiva, e na hora da morte sem dúvida irá para a morada do Senhor Hari. Em todos três mundos não existe jejum mais importante para observar. O motivo porque esse Ekadashi é tão auspicioso é que ele celebra o dia quando o Senhor em Seu sono Se vira sobre Seu outro lado; por isso também é chamado de Parivartini Ekadashi."

 

Maharaja Yudhisthira então perguntou ao Senhor: "ó Janardana, por favor resolve uma questão que tenho. Como é que o Senhor Supremo dorme e então Se vira sobre Seu lado? ó Senhor, quando estás dormindo, que acontece com todas outras entidades vivas? Por favor também conta-me como amarraste o rei dos demônios, Bali Maharaja, além de como se pode satisfazer os brahmanas. Como se observa Chaturmasya?* Por gentileza seja misericordioso para comigo e responda estas perguntas."

 

* Quem tiver interesse em observar o jejum de Chaturmasya deve consultar o capítulo Chaturmasya-mahatmya do Bhavisya-uttara Purana.

 

A Suprema Personalidade de Deus replicou: "ó Yudhishthira, leão entre os reis, de bom grado relatarei um evento histórico que, simplesmente por ser ouvido, erradica todas reaçöes pecaminosas da pessoa.

 

Na Treta-yuga vivia um rei chamado Bali. Embora nascido duma dinastia demoníaca, era muito devotado a Mim. Cantava muitos hinos védicos para Mim e realizava o ritual de homa só para satisfazer-Me. Respeitava os brahmanas duas-vezes nascidos e ocupava-os em realizar sacrifícios diariamente. Esta grande alma teve uma discussão com Indra no entanto, e eventualmente derrotou-o numa batalha. Bali assumiu todo seu reino celestial inteirinho, que Eu mesmo dera para Indra. Por isso Indra e todos outros semideuses, junto com muitos grandes sábios, aproximaram-se de Mim e reclamaram de Bali Maharaja. Curvando suas cabeças até ao chão e oferecendo muitas oraçöes sagradas dos Vedas, adoraram-Me e ao mestre espiritual deles, Brhaspati. Assim concordei em aparecer a favor deles como o anão Vamanadeva, Minha quinta encarnação."

 

O rei Yudhishthira perguntou: "ó Senhor, como é possível que vencestes tal demônio poderoso com um mero corpo de anão? Por favor explica isso claramente, pois sou Seu devoto fiel."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, replicou: "Embora um anão, Eu era um brahmana, e aproximei-Me de Bali Maharaja para pedir-lhe doaçöes em forma de terras. Disse: "ó Bali, por favor dá-Me apenas três passos de terra como caridade. Um pedaço tão pequeno de terra valerá para mim como se fosse os três mundos." Bali concordou em atender Meu pedido sem maiores consideraçöes. Mas assim que prometeu dar-Me a terra, Meu corpo começou a Se expandir numa forma transcendental gigantesca. Cobri a terra inteira com Meus pés, e toda Bhuvarloka com Minhas coxas, os céus de Svarga com Minha cintura, Maharloka com Meu estômago, Janaloka com Meu peito, Tapoloka com Meu pescoço, e Satyaloka com Minha cabeça e face. Cobri toda criação material. Na verdade, todos planetas do universo, inclusive o sol e a lua, foram abarcados pela Minha forma gigantesca.

 

Vendo este Meu passatempo espantoso, todos semideuses, inclusive Indra e Shesha, o rei das serpentes, começaram a cantar hinos védicos e oferecer oraçöes a Mim. Então peguei Bali pela mão e disse-lhe: "ó Ser sem pecados, cobri toda a terra com apenas um passo e todos planetas celestiais com o segundo. Agora onde irei colocar Meu pé para a terceira passada de terra que Me prometeste?"

 

Ao ouvir isto, Bali Maharaja curvou-se e ofereceu-Me sua cabeça. ó Yudhishthira, coloquei Meu pé em sua cabeça e mandei o para Patalaloka. Vendo-o assim humilhado, fiquei muito satisfeito com ele e disse para Bali que dali em diante Eu residiria permanentemente no palácio dele. A partir de então, no Parivartini Ekadashi, que ocorre durante a parte iluminada do mês de Bhadra, Bali, o filho de Virocana, instalou uma forma de Minha Deidade em sua residência.

 

ó rei, até Haribodhini Ekadashi, que ocorre durante a parte iluminada do mês de Kartika, Eu continuo a dormir no oceano de leite. O mérito que se acumula durante esse período é particularmente poderoso. A pessoa deve, portanto, observar Parivartini Ekadashi cuidadosamente. Em verdade é especialmente purificante e assim elimina todas reaçöes pecaminosas. Nesse dia o devoto fiel deve adorar o Senhor Trivikrama, Vamanadeva, que é o pai supremo, porque nesse dia Eu Me viro para dormir sobre Meu outro lado.


Se possível, nesse dia se deve dar a uma pessoa qualificada uma porção de iogurte misturado com arroz, bem como alguma prata, e então permanecer em vigília a noite toda. Esta simples observância libertará do condicionamento material. Quem observar este sagrado Parivartini Ekadashi desta maneira acima descrita certamente obterá todo tipo de felicidades neste mundo e no reino de Deus na vida futura. Quem simplesmente ouve esta narrativa com devoção irá para a morada dos semideuses e ali brilhará como a própria lua, tão poderoso é observar este Ekadashi. De fato, é tão poderoso quanto realizar mil sacrifícios de cavalos."

 

Assim terminam as glórias do Parivartini Ekadashi ou Vamana Ekadashi, que ocorre durante a parte clara do mês de Bhadrapada, conforme o Brahma-vaivarta Purana.

 

21 INDIRA EKADASHI

 

Yudhisthira Maharaja disse: "ó Madhusudana, ó matador do demônio Madhu, qual o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena obscura do mês de Asvhina (set/out)? Por favor descreva suas glórias para mim."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, respondeu: "Este dia santo é chamado Indira Ekadashi. Se uma pessoa jejua nesse dia, todos seus pecados são erradicados e seus antepassados que caíram no inferno são liberados. ó melhor dos reis, quem simplesmente ouve sobre este Ekadashi obtém o mérito acumulado por realizar um sacrifício de cavalo.

 

Na Satya-yuga vivia um rei chamado Indrasena, que era tão poderoso que destruiu todos seus inimigos. O glorioso e altamente religioso Rei Indrasena cuidava bem de seus súditos, e portanto era rico de filhos, netos, ouro e grãos. Era muito devotado a Sri Vishnu também. Gostava especialmente de cantar Meu nome, clamando "Govinda! Govinda!" Desta maneira o Rei Indrasena sistematicamente se dedicava à vida espiritual pura e passava muito tempo meditando na Verdade Absoluta.

 

Certo dia, enquanto o Rei Indrasena alegre e tranquilamente presidia sobre sua assembléia, o orador perfeito, Narada Muni, foi visto descendendo do céu. O rei ofereceu a Devarishi Narada, o santo entre os semideuses, grande respeito, saudando-o com as palmas juntas, convidando-o ao palácio, oferecendo-lhe um assento confortável, lavando seus pés, e falando palavras doces de boas-vindas. Então Narada Muni disse para Maharaja Indrasena: "ó rei, as sete partes de vosso reino estão prosperando? Vossa mente está absorvida em pensar como podeis realizar vosso dever ocupacional? E estais ficando mais e mais devotado ao Senhor Supremo, Sri Vishnu?"

 

O rei respondeu: "Por tua bondosa graça, ó maior dos sábios, tudo vai bastante bem. Hoje, só pela tua presença todos sacrifícios em meu reino tem sucesso! Por favor mostra-me misericórdia e explique a razão para tua visita até aqui."


Sri Narada, o sábio entre os semideuses, então disse: "ó leão entre os reis, ouvi minhas espantosas palavras. Quando descendi de Brahmaloka a Yamaloka, o Senhor Yamaraja louvou-me mui afavelmente e ofereceu-me um excelente assento. Enquanto eu glorificava sua veracidade e maravilhoso serviço ao Senhor Supremo, notei vosso pai na assembléia de Yamaraja. Embora fora muito religioso, porque quebrou um jejum de Ekadashi prematuramente, teve que ir para Yamaloka. Vosso pai deu-me uma mensagem para vos entregar. Disse: "Em Mahishmati vive um rei chamado Indrasena. Por favor conte-lhe sobre minha situação aqui - que devido a meus atos pecaminosos passados de alguma maneira fui forçado a residir no reino de Yamaraja. Por favor dê a ele esta minha mensagem: "ó filho, tenha a bondade de observar Indira Ekadashi e dar muita caridade para que eu possa me elevar ao céu." (2)

 

Narada continuou: "Só para entregar esta mensagem, ó rei, vim até aqui. Deveis ajudar vosso pai observando este jejum de Indira Ekadashi. Pelo mérito acumulado, vosso pai irá para o céu."

 

O Rei Indrasena perguntou: "ó grande Naradaji, por favor seja misericordioso e me diga especificamente como observar um jejum no Indira Ekadashi, e também conte em que mês e que dia ocorre."

 

Narada Muni respondeu: "ó rei, por favor ouvi enquanto vos descrevo

o processo completo de observar Indira Ekadashi. Este Ekadashi ocorre durante a quinzena obscura do mês de Ashvina. No Dashami, o dia antes do Ekadashi, acordai cedo pela manhã, tomai banho, e depois façai algum serviço para Deus com plena fé. Ao meio-dia, tomai banho novamente em água corrente e depois oferecei oblaçöes a vossos antepassados com fé e devoção. Certificai-vos de não comer mais que uma vez naquele dia, e à noite dormi no chão.

 

Quando acordardes na manhã do Ekadashi, limpai vossa boca e dentes esmeradamente, e depois com profunda devoção pelo Senhor fazei este voto sagrado: "Hoje irei jejuar completamente e abandonar todos tipos de gozo dos sentidos. ó Suprema Personalidade de Deus, infalível e de olhos de lótus, por favor conceda-me refúgio a Teus pés de lótus." Ao meio-dia, postai-vos de pé diante de Sri Shalagrama-shila (3) e adorai-O fielmente, seguindo todas regras e regulaçöes, depois oferecei oblaçöes a vossos antepassados. Em seguida, alimentai brahmanas qualificados e oferecei-lhes alguma caridade conforme vossos meios. Agora tomai o alimento oferecido aos vossos antepassados, cheirai-o, e depois oferecei-o a uma vaca. Em seguida, adorai o Senhor Hrshikesha com incenso e flores, e finalmente, permanecei acordado a noite toda perto da Deidade de Sri Keshava.

 

Cedo na manhã do dia seguinte, Dvadashi, adorai Sri Hari com grande devoção e convidai brahmanas para um suntuoso banquete. Então alimentai vossos parentes, e finalmente tomai vossa refeição em silêncio. ó rei, se observardes estritamente um jejum no Indira Ekadashi desta maneira, com os sentidos controlados, vosso pai certamente será elevado à morada do Senhor Vishnu." Após dizer isso, Devarishi Narada imediatamente desapareceu.

 

O Rei Indrasena seguiu as instruçöes do grande santo perfeitamente, observando o jejum na associação de seus parentes e servos. Ao quebrar o jejum no Dvadashi, flores caíram do céu. O mérito que Indrasena ganhou por observar este jejum salvou seu pai do reino de Yamaraja e fez com que obtivesse um corpo completamente espiritual. De fato, Indrasena o viu subir para a morada do Senhor Hari no dorso de Garuda. O próprio Indrasena foi capaz de governar seu reino sem quaisquer obstáculos, e em tempo entregou o reino para seu filho e também foi para Vaikuntha.

 

ó Yudhishthira, estas são as glórias do Indira Ekadashi, que ocorre durante a quinzena obscura do mês de Ashvina. Quem quer que ouça ou leia esta narrativa certamente desfrutará da vida neste mundo, será libertado de todos seus pecados passados, e na morte retorna ao lar, de volta para Deus, onde vive eternamente."

 

Assim terminam as glórias do Ashvina-krsna Ekadashi ou Indira Ekadashi, do Brahma-vaivarta Purana.

 

Notas:

 

(1) As sete partes do domínio de um rei são o próprio rei, seus ministros, seu tesouro, suas forças militares, seus aliados, os brahmanas, os sacrifícios realizados em seu reino, e as necessidades de seus súditos.

 

(2) Toda entidade viva é um indivíduo, e individualmente todos tem que praticar consciência de Krishna para retornar a Deus. Conforme declarado no Garuda Purana, quem está sofrendo no inferno não consegue praticar consciência de Krishna, porque isto requer paz metal, que as torturas do inferno tornam impossíveis. Se um parente de um pecador sofrendo no inferno der alguma caridade em nome do pecador, este pode deixar o inferno e entrar nos planetas celestiais. Mas se o parente do pecador observar este jejum de Ekadashi em prol de seu familiar sofredor, este vai diretamente para o mundo espiritual, conforme declara este capítulo.

 

(3) Sri Shalagrama-shila é uma Deidade do Senhor Vishnu na forma de uma pedra lisa, redonda e escura. Devotos adoram-No para obter liberação. A origem de Shalagrama-shila é descrita no Padma Purana, Uttara Khanda.


22 PAPANKUSHA OU PASHANKUSHA EKADASHI

 

Yudhishthira Maharaja disse: "ó Madhusudana, qual o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena luminosa do mês de Ashvina (setembro/outubro)? Por favor seja misericordioso e conta-me algo sobre isso."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, respondeu: "ó rei, por favor escute enquanto explico as glórias desse Ekadashi - Papankusha Ekadashi - que remove todos pecados. Neste dia se deve adorar a Deidade de Padmanabha, o Senhor do umbigo de lótus, segundo as regras e regulaçöes. Assim fazendo, se consegue quaisquer prazeres celestiais que se deseje neste mundo e afinal se obtém liberação. Simplesmente por oferecer humildes reverências ao Senhor Vishnu, que cavalga Garuda, se pode obter o mesmo mérito que se consegue por realizar grandes penitências durante longo tempo com os sentidos completamente controlados. Embora uma pessoa possa ter cometido ilimitados pecados, ainda assim poderá escapar do inferno apenas por prestar suas reverências ao Senhor Hari, que remove todos pecados.

 

Os méritos obtidos por realizar peregrinação a tirthas desse planeta terráqueo também podem ser obtidos simplesmente por cantar os santos nomes do Senhor Vishnu (1). Quem cantar esses sagrados nomes - como Rama, Vishnu, Janardana, ou Krishna - especialmente no Ekadashi, nunca vê a morada de Yamaraja. Tampouco aquele que jejua no Papankusha Ekadashi, que Me é muito querido, verá essa morada.

 

Tanto o Vaisnava que critica o Senhor Shiva quanto o Shivaísta que Me critica certamente vão para o inferno. O mérito obtido por realizar mil sacrifícios de cavalo e cem sacrifícios Rajasuya não se iguala nem mesmo à décima sexta parte do mérito que uma pessoa obtém por jejuar no Ekadashi. Não existe mérito superior que se possa alcançar, que este obtido por jejuar no Ekadashi. De fato, nada nos três mundos é tão agradável ou tão capaz de purificar-nos do pecado como o Ekadashi, o dia do Senhor de umbigo de lótus, Padmanabha.

 

ó rei, até que a pessoa observe um jejum do dia do Senhor Padmanabha (chamado Papankusha Ekadashi), ela permanece pecaminosa, e as reaçöes de suas atividades pecaminosas passadas nunca a deixam. Não há mérito nos três mundos que se iguale ao mérito obtido por observar jejum nesse Ekadashi. Quem quer que o observe fielmente, nunca tem de ver a morte personificada, o Senhor Yamaraja. Quem deseja liberação, o paraíso, boa saúde, lindas mulheres, fortuna, e grãos alimentícios deve simplesmente jejuar nesse Ekadashi. ó Rei, nem o Ganges, Gaya, Kashi, nem Pushkara, nem mesmo o sagrado local de Kurukshetra, podem conceder tanto mérito como Papankusha Ekadashi.

 

ó Yudhisthira, protetor da terra, após observar Ekadashi durante o dia, o devoto deve permanecer acordado pela noite adentro, pois assim fazendo facilmente obtém a morada do Senhor Supremo, Sri Vishnu. Dez geraçöes de antepassados por parte da mãe, dez por parte do pai, e dez por parte da esposa são todos liberados por uma só vez observar o jejum neste Ekadashi. Todos esses antepassados obtém suas formas originais transcendentais, de quatro braços. Portando vestes amarelas e lindas guirlandas, cavalgam ao mundo espiritual no dorso de Garuda, o inimigo das serpentes. Essa é a benção que Meu devoto recebe simplesmente por observar um Papankusha Ekadashi devidamente.

 

ó melhor dos reis, quer sejamos crianças, jovens, ou velhos, jejuar no Papankusha Ekadashi livra de pecados e torna imune ao sofrimento de renascer infernalmente. Quem observa um jejum neste Ekadashi se torna livre de todos seus pecados e retorna à morada do Senhor Hari. Quem doar ouro, sementes de gergelim, terra fértil, vacas, grãos, água potável, um guarda-chuva, ou par de calçados nesse mais santificado dos dias nunca terá de visitar a morada de Yamaraja, que sempre pune pecadores. Porém se um habitante da terra deixa de realizar atos espirituais, especialmente observar um jejum em dias sagrados como Ekadashi, é dito que sua respiração não é melhor que o bafo do fole do ferreiro.

 

ó melhor dos reis, especialmente no Papankusha Ekadashi, mesmo os pobre devem primeiro tomar banho e depois dar alguma caridade e realizar outras atividades auspiciosas de acordo com sua habilidade.

 

Quem quer que realize sacrifícios ou construa lagoas públicas, locais de descanso, jardins, ou casas não sofre as puniçöes de Yamaraja. De fato, deve-se compreender que tal pessoa deve ter realizado tais atividades piedosas assim, em sua vida passada, caso tenha vida longa, saúde, riqueza, nascimento elevado ou esteja livre de todas doenças. Mas uma pessoa que observa Papankusha Ekadashi vai para a morada do Senhor Supremo."

 

O Senhor Krishna concluiu: "Portanto, ó santo Yudhishthira, narrei-lhe as glórias de Papankusha Ekadashi. Por favor questione-Me mais se deseja ouvir ainda mais sobre Ekadashi."

 

Assim terminam as glórias do Papankusha Ekadashi ou Ashvina-sukla Edadashi,do Brahma-vaivarta Purana.

 

Notas:

 

(1) Segundo o Srimad-Bhagavatam, Vishnu é uma encarnação purusha da expansão quádrupla do Senhor Sri Krishna.

 

23 RAMA EKADASHI

 

Yudhishthira Maharaja disse: "ó Janardana, ó protetor de todos seres, qual é o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena obscura do mês de Kartika (out/nov)? Por favor transmita este sagrado conhecimento a mim."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, respondeu: "ó leão entre os reis, por favor ouça: O Ekadashi que ocorre durante a parte obscura do mês de Kartika se chama Rama Ekadashi. É muito auspicioso, pois erradica de imediato os maiores pecados e concede passagem para a morada espiritual. Vou narrar sua história e glórias para ti.

 

Uma vez vivia um famoso rei chamado Mucukunda, que tinha amizade com o Senhor Indra, o rei do céu, bem como com Yamaraja, Varuna e Vibhishana, o irmão piedoso do demônio Ravana. Mucukunda sempre falava a verdade e constantemente prestava serviço devocional a Mim. Porque governava segundo os princípios religiosos, não havia distúrbios em seu reino.

 

A filha de Mucukunda se chamava Chandrabhaga, como o rio sagrado, e o rei a deu em casamento a Shobhana, o filho de Chandrasena.

Certo dia, Shobhana visitou o palácio de seu sogro no dia auspicioso de Ekadashi. Esta visita provocou ansiedade na esposa de Shobhana, Chandrabhaga, porque ela sabia que seu marido estava fisicamente muito enfraquecido e incapaz de suportar a austeridade de um jejum de dia inteiro. Ela disse-lhe: "Meu pai é muito estrito quanto a seguir o Ekadashi. No Dashami, o dia antes do Ekadashi, ele golpeia um grande tambor timbale e anuncia: "Ninguém deve comer no Ekadashi, o dia do Senhor Hari!"

 

Quando Shobhana ouviu o som do timbale, disse para sua esposa: "ó minha linda, que farei agora? Por favor diga-me como poderei salvar minha vida e obedecer as restriçöes ao mesmo tempo!"

 

Chandrabhaga replicou: "Meu querido marido, na casa de meu pai ninguém - nem mesmo elefantes e cavalos, sem falar em seres humanos - come no Ekadashi. De fato, nenhum dos animais recebe sua ração de grãos, folhas ou palha - nem mesmo água! - no Ekadashi, o dia do Senhor Hari. Portanto como poderás escapar de jejuar? Meu amado, se tiveres que comer algo, então deves sair daqui imediatamente. Agora, com firme convicção decida o que fazer."

 

O Príncipe Shobhana respondeu: "Decidi jejuar no sagrado dia de Ekadashi. Qualquer que seja meu destino, certamente haverá de acontecer."

 

Decidindo assim, Shobhana tentou jejuar naquele Ekadashi, mas ficou intoleravelmente perturbado pela fome e sede excessiva. Eventualmente o sol se pôs no oeste, e a chegada da noite auspiciosa fez a felicidade de todos Vaisnavas. ó Yudhishthira, todos os devotos gostaram de adorar o Senhor Hari e permanecer acordados noite adentro, mas para o Príncipe Shobhana aquela noite se tornou absolutamente intolerável. Na verdade, quando o sol se levantou no Dvadashi, Shobhana estava morto.

 

O Rei Mucukunda observou o funeral de seu genro, ordenando que se fizesse uma grande pilha de madeira para o fogo, mas instruiu sua filha Chandrabhaga a não juntar-se a seu marido na pira funerária. Assim Chandrabhaga, após realizar todos processos purificatórios honrando seu marido falecido, continou a viver na casa de seu pai."

O Senhor Krishna continuou: "ó melhor dos reis, embora Shobhana morresse por ter observado Rama Ekadashi, o mérito que acumulou capacitou-o depois da morte, a ser o governante de um reino no alto do pico da Montanha Mandaracala. Este reino era como uma cidade de semideuses: muito brilhante, com ilimitadas jóias incrustadas nas paredes de seus prédios. Os pilares eram feitos de rubis, e o ouro cravejado de diamantes rebrilhava por todo lugar. Enquanto o Rei Shobhana ficava sentado num trono sob um dossel branco puro, servos abanavam-no com abanos de rabo de iaque. Uma estupenda coroa descansava sobre sua cabeça, lindos brincos adornavam suas orelhas, um colar ornava seu pescoço, roximando, imediatamente levantou de seu trono e deu-lhe as boas-vindas. Depois que Shobhana prestara suas respeitosas reverências, perguntou ao brahmana sobre seu bem-estar e sobre a saúde de seu sogro Mucukunda, sua esposa, e todos residentes da cidade.

 

Somasharma respondeu: "ó rei, todos súditos estão bem no reino de seu sogro, e Chandrabhaga e teus outros membros familiares também estão bastante bem. Mas, ó rei, estou espantado de encontrar-te aqui! Por favor conte-me sobre ti. Ninguém jamais viu cidade tão bela como esta! Tenha a bondade de me contar como a obteve."

 

O Rei Shobhana disse: "Porque observei Rama Ekadashi, recebi esta esplêndida cidade para governar. Mas apesar de toda sua grandiosidade, é apenas temporária. Imploro-te que faças algo para corrigir esta deficiência. Podes ver, isto é apenas uma cidade efêmera. Como poderei tornar suas belezas e glórias permanentes? Por favor instrua-me."

 

O brahmana perguntou: "Por que este reino é instável, e como poderá se tornar estável? Por favor explique isso para mim, e tentarei ajudá-lo."

 

Shobhana respondeu: "Porque jejuei no Ekadashi sem qualquer fé, este reino é impermanente. Agora ouça como poderá se tornar permanente. Por favor retorne a Chandrabhaga, a linda filha do Rei Mucukunda, e diga a ela o que viste e compreendeste sobre este lugar e sobre mim. Certamente, se contares isto a ela, minha cidade em breve se tornará permanente."

 

Assim o brahmana retornou a sua cidade e relatou o episódio inteiro a Chandrabhaga, que ficou surpresa e muito feliz por ouvir esta notícia. Disse ela: brahmana, isto é um sonho que tiveste, ou realmente é um fato?"

 

Somasharma replicou: "ó princesa, de fato vi teu marido falecido cara a cara naquele maravilhoso reino, que se assemelha a um dos reinos dos semideuses. Mas ele diz que o reino inteiro é instável e pode desaparecer no ar a qualquer momento. Portanto ele espera que possas encontrar algum meio de torná-lo permanente."

 

Chandrabhaga disse: "ó sábio entre os brahmanas, por favor leve-me até meu marido imediatamente, pois desejo muito vê-lo novamente! Certamente tornarei seu reino permanente com o mérito que adquiri jejuando em cada Ekadashi durante minha vida toda. Por favor reuna-nos novamente. É dito que quem reune pessoas separadas obtém mérito muito grande."

 

O brahmana Somasharma então guiou Chandrabhaga até o refulgente reino de Shobhana. Antes de alcançá-lo, entretanto, pararam no sopé do Monte Mandaracala, no sagrado ashrama de Vamadeva. Ao ouvir a história deles, Vamadeva cantou hinos dos Vedas e borrifou água sagrada em Chandrabhaga. Pela influência dos ritos daquele grande rishi, o mérito que ela acumulou por jejuar por tantos Ekadashis tornou o corpo dela transcendental. Extática, seus olhos irradiando maravilhados, Chandrabhaga continuou sua jornada.

 

Quando Shobhana viu sua esposa se aproximando dele no alto da Montanha Mandaracala, foi tomado de alegria e chamou-a em voz alta, com grande felicidade. Depois que ela havia chegado, sentou-a à sua esquerda e ela lhe disse: "ó querido, por favor ouça enquanto te conto uma coisa que irá beneficiar-te grandemente. Desde que tinha oito anos sempre jejuei fiel e regularmente a cada Ekadashi. Se eu transferir a ti todo o mérito que assim acumulei, teu reino certamente se tornará permanente, e tua prosperidade irá crescer e crescer até a vinda da grande inundação!"

 

O Senhor Krishna continuou: "ó Yudhishthira, desta maneira Chandrabhaga, que estava belamente decorada com os mais finos ornamentos e tinha um corpo transcendental de rara beleza, afinal gozou da paz e felicidade com seu marido. Pela potência de Rama Ekadashi, Shobhana verificou que seu reino nos picos do Monte Mandaracala podia realizar todos seus desejos e conceder-lhe felicidade sempiterna, tal como aquela obtida da vaca Kama-dhenu.

 

ó maior dos reis, assim narrei a ti as glórias do Rama Ekadashi.

 

Quem quer que observe o sagrado Ekadashi durante as quinzenas clara e obscura de cada mês, indubitavelmente se liberta das reaçöes do pecado de matar um brahmana. Não se deve diferenciar entre Ekadashis da parte iluminada ou obscura do mês. Conforme vimos, ambos podem conceder prazer neste mundo e liberar até mesmo as almas mais pecaminosas e caídas. Assim como vacas negras e brancas dão leite de qualidade igual, os Ekadashis da quinzena clara e obscura conferem o mesmo grau elevado de mérito e eventualmente liberam a pessoa do ciclo de nascimento e morte. Quem quer que simplesmente ouça as glórias deste sagrado dia, Rama Ekadashi, se liberta de todos tipos de pecado e obtém a morada suprema do Senhor Vishnu."

 

Assim terminam as glórias do Rama Ekadashi ou Kartika-krsna Edadashi, do Brahma-vaivarta Purana.


24 HARIBODHINI OU DEVOTTHANI EKADASHI

 

O Senhor Brahma disse a Narada Muni: "Querido filho, ó melhor dos sábios, vou narrar-te as glórias do Haribodhini Ekadashi, que erradica toda sorte de pecados e confere grande mérito, e no final a liberação, para as pessoas que se rendem ao Senhor Supremo.

 

ó melhor dos brahmanas, os méritos adquiridos por tomar banho no Ganges permanecem significantes enquanto Haribodhini Ekadashi não chega. Este Ekadashi, que ocorre durante a quinzena luminosa do mês de Kartika, é muito mais purificante que um banho no oceano, num local de peregrinação ou num lago. Este sagrado Ekadashi é mais poderoso para nulificar pecados que mil sacrificios Ashvamedha e cem Rajasuya."

 

Narada Muni, o santo entre os semideuses, indagou: "ó pai, por favor descreva os méritos relativos de jejuar completamente no Ekadashi, jantar (sem grãos ou feijöes), ou comer apenas uma vez ao meio-dia (sem grãos ou feijöes)."

 

O Senhor Brahma respondeu: "Se uma pessoa come uma vez ao meio-dia no Ekadashi, os pecados de seus nascimentos anteriores são apagados, se comer apenas o jantar, os pecados adquiridos durante seus dois nascimentos anteriores são removidos, e se jejuar completamente, os pecados acumulados durante seus sete nascimentos anteriores são erradicados.

 

ó filho, tudo aquilo que só raramente é obtido nos três mundos, é obtido por aquele que observa estritamente Haribodhini Ekadashi. Uma pessoa cujos pecados se igualam em volume ao Monte Sumeru os vê reduzidos a nada por simplesmente jejuar no Papaharini Ekadashi (outro nome para Haribodhini Ekadashi). Os pecados que uma pessoa tenha acumulado em mil nascimentos anteriores são queimados até cinzas se não só jejuar mas também permanecer acordada durante a noite de Ekadashi, assim como uma montanha de algodão pode ser queimada até cinzas se acendermos um pequeno fogo nela.

 

ó melhor dos sábios, Naradaji, uma pessoa que observa estritamente este jejum alcança os resultados que mencionei. Mesmo se a pessoa fizer uma pequena quantidade de serviço piedoso nesse dia, seguindo as regras e regulaçöes, a pessoa irá acumular mérito igual ao Monte Sumeru em volume; contudo, uma pessoa que não segue as regras e regulaçöes dadas nas escrituras poderá realizar atividade piedosa igual ao Monte Sumeru em volume, mas não irá ganhar nem mesmo uma pequena quantidade de mérito. Quem não canta o Gayatri mantra três vezes ao dia, que não considera os dias de jejum, que não acredita em Deus, que critica as escrituras védicas, que pensa que os Vedas só trazem ruina para quem segue suas injunçöes, que desfruta da esposa de outrem, que é totalmente tolo e malvado, que não aprecia qualquer serviço que lhe tenha sido prestado, ou que engana outros - tal pessoa pecaminosa, ó filho, nunca poderá realizar qualquer atividade religiosa efetivamente. Seja um brahmana ou shudra, quem tentar desfrutar da esposa de outrem, especialmente a esposa de alguém duas vezes nascido, é dito não ser melhor que um comedor de cachorros.(1)

 

ó melhor dos sábios, qualquer brahmana que desfruta de sexo com uma viúva ou senhora brahmana casada com outro homem, traz ruína para si e para sua família. Qualquer brahmana que goza de sexo ilícito não terá filhos em sua próxima vida, e qualquer mérito anterior que possa ter acumulado estará arruinado. De fato, se tal pessoa demonstra qualquer arrogância para com um brahmana duas vezes nascido ou um mestre espiritual, perde todo seu avanço imediatamente, bem como sua fortuna e filhos.

 

Estes três tipos de homens arruinam seus méritos adquiridos: aquele cujo caráter é imoral, aquele que tem sexo com a mulher de um comedor de cachorros, e aquele que aprecia a associação de vagabundos. Quem se associa com pessoas pecaminosas e visita seus lares sem um propósito espiritual irá diretamente para a morada do Senhor Yamaraja, o superintendente da morte. E se alguém come em tal lar, seu mérito adquirido é destruído, junto com sua fama, duração de vida, filhos, e felicidade.

 

Qualquer patife pecaminoso que insulta uma pessoa santa brevemente perde sua religiosidade, desenvolvimento econômico, e gratifação dos sentidos, e afinal arderá no fogo do inferno. Qualquer um que goste de ofender pessoas santas, ou que não interrompe quem está insultando pessoas santas, é considerado como não sendo melhor que um asno. Tal homem malvado vê sua dinastia destruída diante de seus próprios olhos.

 

Uma pessoa cujo caráter é impuro, que é vagabunda ou tratante, ou que encontra defeitos nos outros, não alcança um destino mais elevado após a morte, mesmo que dê caridade generosamente ou realize outros atos auspiciosos. Portanto devemos nos refrear de realizar atos inauspiciosos e realizar apenas os piedosos, pelos quais acumularemos mérito e evitaremos sofrimento.

 

Contudo, os pecados de quem, após a devida consideração, decide jejuar no Haribodhini Ekadashi, são apagados de cem vidas anteriores, e quem jejua e permanece acordado a noite toda neste Ekadashi alcança ilimitado mérito e após a morte vai para a morada suprema do Senhor Vishnu, e dez mil de seus ancestrais, parentes e descendentes também alcançam essa morada. Mesmo se os antepassados estiverem implicados em muitos pecados e estiverem sofrendo no inferno, ainda assim obtém corpos espirituais lindamente ornamentados e felizes, vão para a morada de Vishnu.

 

ó Narada, mesmo quem tenha cometido o pecado hediondo de matar um brahmana se liberta de toda mácula em seu caráter por jejuar no Haribodhini Ekadashi e permanecer acordado naquela noite. O mérito que não pode ser obtido por tomar banho em todos lugares de peregrinação, realizar um sacrifício de cavalo, ou dar vacas, ouro ou terra fértil como caridade, pode facilmente ser alcançado por jejuar nesse dia sagrado e permanecer acordado durante a noite.

 

Quem quer que observe Haribodhini Ekadashi é celebrado como sendo altamente qualificado e torna sua dinastia famosa. Como a morte é certa, assim também é certo perder a riqueza. Sabendo disso, ó melhor dos sábios, devemos observar um jejum nesse dia tão querido por Hari, Sri Haribodhini Ekadashi.

 

Todos locais de peregrinação nos três mundos imediatamente vem residir na casa da pessoa que jejua nesse Ekadashi. Portanto, para agradar o Senhor, que segura um disco em Sua mão, devemos abandonar todos compromissos, render-nos, e observar este jejum de Ekadashi. Quem jejua nesse dia de Haribodhini é reconhecido como um homem sábio, um verdadeiro yogi, um asceta, e alguém cujos sentidos estão verdadeiramente sob controle. Só ele desfruta devidamente deste mundo, e certamente alcançará a liberação. Este Ekadashi é muito querido pelo Senhor Vishnu e portanto é a própria essência da religiosidade. Mesmo uma só observância já confere a recompensa máxima em todos três mundos.

 

ó Naradaji, quem quer que jejue nesse Ekadashi definitivamente não entra num ventre novamente, e assim devotos fiéis do Supremo Deus abandonam todas variedades de religião e simplesmente se rendem a jejuar neste Ekadashi. Para essa grande alma que honra esse Ekadashi jejuando e permanecendo acordado durante a noite, o Senhor Supremo, Sri Govinda, pessoalmente acaba com as reaçöes pecaminosas que essa alma tenha adquirido pelas açöes de sua mente, corpo e palavras.

 

ó filho, para quem se banha num local de peregrinação, dá caridade, canta os santos nomes do Senhor Supremo, se submete a austeridades e realiza sacrifícios para Deus no Haribodhini Ekadashi, o mérito assim acumulado se torna imperecível. Um devoto que adora o Senhor Madhava nesse dia com parafernália de primeira classe, se torna livre dos grandes pecados de cem vidas.

Uma pessoa que observa este jejum e adora o Senhor Vishnu devidamente se liberta de grande perigo.

 

Este jejum de Ekadashi agrada tanto ao Senhor Jagannatha que Ele leva a pessoa que o observa de volta para Sua morada, e enquanto vai para lá o devoto ilumina as dez direçöes universais. Quem deseja beleza e felicidade deve tentar honrar Haribodhini Ekadashi, especialmente se cair no Dvadasi. Os pecados de cem nascimentos anteriores - os pecados cometidos durante a infância, juventude, e velhice em todas essas vidas, quer sejam pecados secos ou molhados - são nulificados pelo Supremo Senhor Govinda se jejuarmos no Haribodhini Ekadashi com devoção.(2)

 

Haribodhini Ekadashi é o melhor Ekadashi. Nada é impossível de obter ou raro neste mundo para quem jejua nesse dia, pois ele dá grãos alimentícios, grande fortuna, e mérito elevado, bem como erradica todo pecado, o terrível obstáculo à liberação. Jejuar nesse Ekadashi é mil vezes melhor que dar caridade no dia do eclipse solar ou lunar. Novamente lhe digo, ó Naradaji, qualquer mérito que se tenha obtido por tomar banho num local de peregrinação, dar caridade, cantar japa, recitar mantras védicos, realizar sacrifícios, e estudar os Vedas é apenas um décimo de milionésimo do mérito adquirido pela pessoa que jejua apenas uma vez no Haribodhini Ekadashi. Qualquer mérito que se tenha adquirido em sua vida por algumas atividades piedosas se torna completamente infrutífero se não observarmos o jejum de Ekadashi e adorarmos o Senhor Vishnu no mês de Kartika. Portanto, ó Narada, deves sempre adorar o Senhor Supremo, Janardana, e prestar serviço para Ele. Assim obterás a meta desejada, a mais alta perfeição.

 

No Haribodhini Ekadashi, um devoto do Senhor não deve comer na casa de outro ou comer alimento cozido por um não-devoto. Se o fizer, apenas alcança o mérito de jejuar num dia de lua cheia. Discussöes filosóficas das escrituras no mês de Kartika agradam Sri Vishnu mais que se doarmos elefantes e cavalos como caridade ou realizarmos um custoso sacrifício. Quem quer que cante ou ouça descriçöes das qualidades e passatempos do Senhor Vishnu, mesmo que apenas metade ou um quarto de verso, obtém o maravilhoso mérito derivado por dar cem vacas a um brahmana. ó Narada, durante o mês de Kartika se deve abandonar toda sorte de deveres comuns e dedicar todo tempo e energia, especialmente enquanto se jejua, a discutir os passatempos transcendentais do Senhor Supremo. Tal glorificação de Sri Hari no dia tão querido pelo Senhor, Ekadashi, libera cem geraçöes anteriores. Quem passa seu tempo desfrutando de tais discussöes, especialmente no mês de Kartika, obtém os resultados de realizar dez mil sacrifícios de fogo e queima todos seus pecados até cinzas.

 

Aquele que ouve as maravilhosas narrativas concernentes ao Senhor Vishnu, particularmente durante o mês de Kartika, automaticamente acumula o mesmo mérito como de uma pessoa que doa cem vacas como caridade. ó grande sábio, uma pessoa que canta as glórias do Senhor Hari no Ekadashi obtém o mérito acumulado por doar sete ilhas."

 

Narada Muni perguntou a seu glorioso pai: "ó senhor universal, ó melhor dos semideuses, por favor conta-me como observar esse mais sagrado Ekadashi. Que tipo de mérito ele confere aos fiéis?"

 

O Senhor Brahma respondeu: "ó filho, uma pessoa que quer observar esse Ekadashi deve acordar cedo na manhã de Ekadashi, durante o horário de brahma-muhurta (uma hora e meia antes do sol nascer até cinquenta minutos antes do alvorecer). Deve então limpar os dentes e tomar banho num lago, rio, lagoa ou poço, ou em sua própria casa, conforme a situação permitir. Após adorar o Senhor Sri Keshava, deve ouvir cuidadosamente as sagradas descriçöes do Senhor. Deve orar assim ao Senhor: "ó Senhor Keshava, vou jejuar neste dia, que Lhe é tão querido, e amanhã honrarei Tua sagrada prasadam. ó Senhor de olhos de lótus, ó infalível, és meu único refúgio. Por bondade, proteja-me."

 

Tendo falado esta solene oração diante do Senhor com grande amor e devoção, deve-se jejuar alegremente. ó Narada, quem permanecer acordado a noite toda neste Ekadashi, cantando lindas cançöes glorificando o Senhor, dançando em êxtase, tocando deliciosa música instrumental para o prazer transcendental Dele, e recitando os passatempos do Senhor Krishna conforme registrados na literatura védica fidedigna - tal pessoa certamente residirá muito além dos três mundos, no reino eterno, espiritual de Deus.

 

No Haribodhini Ekadashi se deve adorar Sri Krishna com cânfora, frutas, e flores aromáticas, especialmente a flor amarela agaru. Não devemos nos absorver em ganhar dinheiro neste dia importante. Em outras palavras, devemos trocar a cobiça pela caridade. Este é o processo para transformar perdas em ilimitado mérito. Devemos oferecer muitos tipos de frutas ao Senhor e banhá-Lo com água de uma concha. Cada uma dessas práticas devocionais, quando realizada no Haribodhini Ekadashi, é dez milhöes de vezes mais benéfica que tomar banho em todos locais de peregrinação e dar todas formas de caridade.

 

Mesmo o Senhor Indra junta suas palmas e oferece suas reverências ao devoto que adora o Senhor Janardana com flores agasthya nesse dia. O Supremo Senhor Hari fica muito satisfeito quando Ele é decorado com belas flores agastya. ó Narada, eu dou liberação a quem devotadamente adora o Senhor Krishna neste Ekadashi no mês de Kartika com folhas da árvore bel. E para quem adora o Senhor Janardana com folhas frescas de tulasi e flores fragrantes durante este mês, ó filho, queimo pessoalmente até cinzas todos pecados que tenha cometido por dez mil nascimentos.

 

Quem meramente vê Tulasi Maharani, toca nela, medita nela, narra sua história, oferece reverências a ela, ora por sua graça, planta ela, adora ela, ou rega ela, vive eternamente na morada do Senhor Hari. ó Narada, quem serve Tulasi devi destas nove maneiras alcança felicidade no mundo superior por tantos milhares de yugas quanto há raízes e sub-raízes crescendo de uma planta tulasi madura. Quando uma planta tulasi adulta produz sementes, muitas plantas crescem destas sementes e estendem seus galhos, galhinhos e flores, e estas flores produzem numerosas sementes. Por tantos kalpas quanto houver sementes produzidas desta maneira, os antepassados de quem serve tulasi destes nove modos viverão na morada do Senhor Hari. (3)

 

Aqueles que adoram o Senhor Keshava com flores kadamba, que são muito agradáveis a Ele, conseguem Sua misericórdia e não vêem a morada de Yamaraja, a morte personificada. Qual o sentido de adorar outra pessoa se todos desejos podem ser realizados por satisfazer o Senhor Hari? Por exemplo, um devoto que oferece a Ele flores bakula, ashoka e patali se livra da miséria e sofrimento pelo tempo que o sol e a lua existirem neste universo, e afinal alcança liberação. ó melhor dos brahmanas, uma oferenda de flores kannera ao Senhor Jagannatha traz tanta misericórdia ao devoto quanto a que se acumula ao adorar o Senhor Keshava por quatro yugas. Quem oferece flores de tulasi (manjaris) a Sri Krishna durante o mês de Kartika, recebe mais mérito do que pode ser obtido por doar dez milhöes de vacas. (4) Mesmo uma oferenda devocional de brotos de grama recém-plantados traz consigo cem vez o benefício obtido por adoração ritualística comum ao Supremo Senhor.

 

Quem adora o Senhor Vishnu com as folhas da árvore samika se liberta das garras de Yamaraja, o senhor da morte. Quem adora Vishnu durante a estação chuvosa com flores de champaka ou jasmim, nunca retorna ao planeta terra novamente. Quem adora o Senhor com apenas uma só flor de kumbhi, alcança a benção de doar um pala de ouro (duzentas gramas). Se um devoto oferece uma só flor amarela de ketaki, ou maça-silvestre, para o Senhor Vishnu, que cavalga Garuda, ele se liberta dos pecados de dez milhöes de nascimentos. Além do mais, quem oferece ao Senhor Jagannatha flores e também cem folhas ungidas com pasta vermelha e amarela de sândalo certamente virá a residir em Svetadvipa, muito além da cobertura desta criação material.

 

ó maior dos brahmanas, Sri Narada, após assim adorar no Haribodhini Ekadashi o Senhor Keshava, Aquele que concede toda felicidade material e espiritual, deve-se levantar cedo na manhã seguinte, tomar banho num rio, cantar japa (5) dos santos nomes de Krishna, e prestar serviço devocional amoroso ao Senhor em casa, o melhor que se puder. Para quebrar o jejum, o devoto deve primeiro oferecer alguma prasadam a brahmanas e só depois, com a permissão deles, comer alguns grãos. Depois disso, para agradar o Supremo Senhor, o devoto deve adorar seu mestre espiritual, o devoto mais puro do Senhor, e oferecer-lhe alimento suntuoso, bom tecido, ouro, e vacas, segundo suas posses. Isso certamente agradará o Senhor Supremo, que segura o disco.

 

Em seguida o devoto deve doar uma vaca a um brahmana, e se o devoto negligenciou seguir algumas regras e regulaçöes da vida espiritual, deve confessá-las diante dos devotos brahmanas do Senhor. Então o devoto deve oferecer a eles algum dakshina (dinheiro). ó rei, aqueles que comeram jantar no Ekadashi devem alimentar um brahmana no dia seguinte. Isso agrada muito à Suprema Personalidade de Deus.

 

ó filho, se um homem jejuou sem pedir permissão a seu sacerdote, ou se uma mulher jejuou sem pedir permissão a seu marido, ele ou ela deve doar um touro a um brahmana. Mel e iogurte também são presentes adequados para um brahmana. Quem só comeu frutas no Ekadashi deve doar frutas no dia seguinte. Quem jejuou de óleo, deve doar ghee em caridade, quem jejuou de ghee deve doar leite, e quem jejuou de grãos deve doar arroz; quem dormiu no chão deve doar um catre com uma colcha, quem comeu numa folha a guiza de prato deve doar um pote de ghee, quem permaneceu em silêncio deve doar um sino, e quem jejuou de gergelim deve doar ouro em caridade e alimentar um casal brahmana com alimento suntuoso. Um homem que queira prevenir calvície deve doar um espelho a um brahmana, quem tem sapatos de segunda mão deve doar sapatos, e quem jejuou do sal deve doar algum açúcar para um brahmana. Durante este mês todos devem regularmente oferecer uma lamparina de ghee ao Senhor Vishnu ou a Srimati Tulasi-devi num templo.

 

Um jejum de Ekadashi é completo quando se oferece a um brahmana qualificado um pote de ouro ou cobre cheio de ghee e mechas de ghee, junto com oito potes d'água contendo algum ouro e coberto por panos. Quem não pode custear tais presentes deve ao menos oferecer a um brahmana algumas palavras doces. Quem assim fizer certamente alcançará o pleno benefício de jejuar no Ekadashi.(6)

 

Após oferecer reverências e implorar permissão, o devoto deve comer sua refeição. Nesse Ekadashi, finda o Chaturmasya, portanto aquilo que se evitou durante o Chaturmasya agora deve ser doado aos brahmanas. Quem segue esse processo de Chaturmasya recebe ilimitado mérito, ó rei dos reis, e retorna à morada do Senhor Vasudeva após a morte. ó rei, quem observa este Chaturmasya completo sem uma falha atinge felicidade eterna e não recebe outro nascimento. Mas se a pessoa quebra o jejum, se torna ou um cego ou um leproso.

 

Assim narrei o processo completo para observar Haribodhini Ekadashi. Quem ler ou ouvir sobre este Ekadashi alcança o mérito obtido por doar vacas a um brahmana qualificado."

 

Assim termina a narrativa das glórias de Kartika-shukla Ekadashi - também conhecido como Haribodhini Ekadashi ou Devothani Ekadashi - conforme o Skanda Purana.

 

Notas:

 

(1) Os Vedas declaram:

 

shudrannam shudra-samparkam

shudra stri-maithunam vatha

iha janmani shudratvam

chandalah shata janmanam

 

"Quem come na casa de um shudra, faz amizade com um shudra, ou tem sexo com uma mulher shudra já se torna um shudra nesta vida. Seus cem nascimentos seguintes serão nas casas de comedores de cachorros."

 

(2) O Padma Purana declara, namno balad yasya hi papa-buddhir na vidyate tasya yamair hi suddhih. "Se uma pessoa comete pecados sabendo, baseando-se na força do cantar do santo nome do Senhor, não há meio de purificar-se. Pecados cometidos sabendo são chamados de "molhados", enquanto os cometidos sem saber se chamam de "secos". Aqui o Senhor Brahma diz que por observar Haribodhini Ekadashi se pode erradicar todos pecados, tanto molhados como secos.

 

(3) Um kalpa, que é doze horas do Senhor Brahma, dura 4.320.000.000 anos. Como o Senhor Krishna diz no Bhagavad-gita 8.21 que "quem chega até Minha morada nunca retorna ao mundo material", entende-se que durante o bilhão de kalpas em que o devoto reside na morada do Senhor Vishnu, ele realizará serviço devocional e assim se tornará qualificado para permanecer lá eternamente.

 

(4) Manjaris oferecidos ao Senhor devem ser recém-brotados e muito suaves. Manjaris mais velhos e duros não se deve oferecer ao Senhor.

 

(5) No Bhagavad-gita 10.25 o Senhor Krishna diz: yajnanam japa yajna 'smi, "Entre os sacrifícios sou a japa, o cantar dos santos nomes". O Kali Shantarana Upanishad declara que na Kali-yuga o cantar do Hare Krishna maha-mantra, que consiste de dezesseis palavras, é o melhor meio de salvação. As dezesseis palavras no Hare Krishna mantra, que Sri Chaitanya Mahaprabhu pregava, são Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare / Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare.

 

(6) Para um Vaisnava, caridade significa dar consciência de Krishna, especialmente o cantar do Hare Krishna mantra. Como disse Sri Chaitanya Mahaprabhu, eka ban to mukhe hari bol bhai... ei matra bhiksha chai. "ó irmão, por favor cante Hare Krishna apenas uma vez... Isto é a única doação que peço." Se um devoto chefe-de-família puder custeá-lo, deve dar algumas sementes de gergelim, roupas ou alimento como caridade a uma pessoa digna, mas isso não é obrigatório.

 

25 PADMINI EKADASHI

 

Suta Goswami disse: "Yudhishthira Maharaja disse: "ó Janardana, qual o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês extra no ano bisexto? Como observá-lo corretamente? Por favor narra-me isso."

 

A Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna, respondeu: "ó Pandava, o Ekadashi meritório que ocorre durante a quinzena clara do mês extra do ano bisexto se chama Padmini. É muito auspicioso. A alma afortuna nto narro para ti o processo de jejuar no Padmini Ekadashi, o que raramente é feito até mesmo pelos grandes sábios.

 

Deve-se começar seu jejum no Dashami, o dia antes de Ekadashi, não comendo qualquer urad dhal, dhal róseo, grão-de-bico, espinafre, mel, ou sal marinho (1), e também não comendo na casa dos outros ou em pratos de metal de sino. Estas oito coisas devem ser evitadas. Deve-se comer apenas uma vez no Dashami, dormir no chão, e permanecer em celibato. No Ekadashi o devoto deve levantar cedo pela manhã mas não deve escovar seus dentes. Então deve tomar banho esmeradamente - num local de peregrinação, se possível. Enquanto canta hinos sagrados dos Vedas, deve esfregar seu corpo com excremento de vaca misturado com barro, pasta de gergelim, grama kusha, e pó de frutas amalaki. Então o devoto deve tomar outro banho caprichado, depois do quê deve cantar as seguintes oraçöes:

 

"ó barro sagrado, foste criado pelo Senhor Brahma, purificado por Kashyapa Muni, e levantado pelo Senhor Krishna em Sua forma como Varaha, a encarnação de javali. ó barro, por favor purifica minha cabeça, olhos, e outras partes. ó barro, ofereço minhas reverências a ti. Tenha a bondade de purificar-me para que eu possa adorar o Senhor Supremo, Hari.

 

ó excremento de vaca, possuis qualidades medicinais e antissépticas porque vieste direto do estômago de tua mãe universal, a vaca. Podes purificar o planeta terra inteiro. Por favor aceita minhas humildes reverências e purifica-me.

 

ó frutas amalaki, por favor aceitem minhas humildes reverências. Nascesteis da saliva do Senhor Brahma, e assim por vossa própria presença o planeta inteiro é purificado. Por gentileza limpai e purificai minhas partes corpóreas.

 

ó Supremo Senhor Vishnu, ó deus dos deuses, ó senhor do universo, ó ser que segura a concha, disco, maça e lótus, por favor permita-me tomar banho em todos locais sagrados de peregrinação."

 

Recitando estas excelentes oraçöes, cantando mantras para o Senhor Varuna, e meditando em todos locais de peregrinação localizados nas margens do Ganges, deve-se tomar banho em qualquer corpo d'agua disponível. Então, ó Yudhishthira, o devoto deve esfregar seu corpo, assim purificando sua boca, peito, braços e cintura como prelúdio para adorar o Senhor Supremo, que usa brilhantes vestes amarelas e dá prazer a todas criaturas. Assim fazendo, o devoto irá destruir todos seus pecados. Depois, deve cantar o sagrado Gayatri mantra, oferecer oblaçöes a seus antepassados, e então entrar num templo de Vishnu para adorar Narayana, o marido de Lakshmi-devi.

 

Se possível, o devoto deve então fazer murtis de Radha-Krishna ou Shiva-Parvati em ouro e oferecer-lhes boa adoração devocional. Deve encher um pote de cobre ou barro com água pura misturada com perfumes, e depois deve cobrir o pote com uma tampa de pano e uma de ouro ou prata, assim preparando a asana na qual murtis Radha-Krishna ou Shiva-Parvati poderão sentar para a adoração. Conforme sua capacidade, o devoto deve então adorar estas murtis com incenso fragrante, uma brilhante lamparina de ghee, e pasta de sândalo, junto com cânfora, almíscar, kunkuma, e outros aromas, bem como flores aromáticas selecionadas como os lótus brancos e outras flores de estação, e também alimentos muito bem preparados. Neste Ekadashi especial o devoto deve dançar e cantar extáticamente diante da Deidade. Deve evitar prajalpa a todo custoe não deve falar com ou tocar em pessoas de baixo nascimento ou mulheres no período menstrual. Neste dia deve ter cuidado especial em falar a verdade e não deve criticar ninguém diante da Deidade do Senhor Vishnu, dos brahmanas, ou do mestre espiritual. Em vez disso, com outros devotos ele deve ouvir os Vaisnavas ler as glórias do Senhor Vishnu dos Puranas. Não se deve beber ou mesmo tocar água em seus lábios neste Ekadashi, e quem não for capaz de realizar esta austeridade deve beber apenas água ou leite. Senão, considera-se quebra do jejum. Deve-se permanecer acordado naquela noite, cantando e tocando instrumentos musicais para o prazer transcendental da Pessoa Suprema.

 

Durante o primeiro quarto da noite de Ekadashi, o devoto deve oferecer um pouco de carne de côco a sua murti adorável, durante a segunda parte deve oferecer fruta bel, durante a terceira parte uma laranja, e conforme a noite se aproxima do final, um pouco de noz de betel. Permanecer acordado durante a primeira parte do Ekadashi concede ao devoto o mesmo mérito como aquele obtido por realizar Agnistoma-yajna. Ficar acordado durante a segunda parte da noite confere o mesmo mérito como o obtido por realizar Vajapeya-yajna. Ficar acordado durante a terceira parte confere o mesmo mérito que o obtido por realizar Ashvamedha-yajna. E quem permanece acordado a noite toda recebe todos méritos acima-mencionados, bem como o grande mérito de ter realizado Rajasuya-yajna. Assim não melhor dia de jejum no ano que o Padmini Ekadashi. Nada se compara em matéria de dar mérito, seja sacrifício de fogo, conhecimento, educação, ou austeridade. De fato, quem quer que observe este sagrado jejum de Ekadashi recebe todo mérito obtido por tomar banho em todos locais de peregrinação no mundo.

 

Após permanecer acordado durante a noite toda, o devoto deve tomar banho ao alvorecer do sol e então Me adorar bem. Deve depois alimentar um brahmana qualificado e respeitosamente dar-lhe a murti do Senhor Keshava e o pote cheio de água pura perfumada. Este presente garantirá ao devoto sucesso nesta vida e liberação na próxima.

 

ó Yudhishthira sem pecado, conforme pediste, descrevi as regras e regulaçöes, bem como os benefícios relativos ao Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês adicional do ano bisexto. Jejuar neste dia de Padmini confere mérito igual ao obtido por jejuar em todos outros Ekadashis. O Ekadashi que ocorre durante a parte obscura do mês extra, que é conhecido como Parama Ekadashi, é tão poderoso para remover pecado quanto este de Padmini. Agora por favor ouça enquanto narro para ti o fascinante relato ligado a este sagrado dia. Pulastya Muni certa vez recitou esta história para Naradaji.

 

Pulastya Muni uma vez teve a oportunidade de salvar Ravana da prisão de Kartaviryarjuna, e ao ouvir sobre este evento, Narada Muni perguntou a seu amigo: "ó melhor dos sábios, como Ravana derrotou todos semideuses, inclusive o Senhor Indra, como Kartaviryarjuna pode derrotar Ravana, que era tão perito no combate?"

 

Pulastya Muni replicou: "ó grande Narada, durante a Treta-yuga Kartavirya (pai de Kartaviryarjuna) nasceu na dinastia Haihaya, Sua capital era Mahishmati, e tinha mil rainhas, que amava muito. Nenhuma delas, contudo, fora capaz de dar-lhe o filho que tanto queria. Realizou sacrifícios e adorou os semideuses e antepassados, mas devido à maldição de alguns sábios ele foi incapaz de gerar um filho - e sem um filho, um rei não pode desfrutar de seu reino, assim como um homem com fome nunca realmente desfruta de seus sentidos.

 

O Rei Kartavirya considerou sua sina cuidadosamente e então decidiu realizar severas austeridades para alcançar sua meta. Assim ele vestiu uma tanga feita de casca de árvore, deixou o cabelo crescer sem pentear, e passou as rédeas de seu reino para seus ministros. Uma de suas rainhas, Padmini - que havia nascido na dinastia Iksvaku, que era a melhor de todas mulheres, e que era filha do Rei Harishchandra - viu o rei saindo. Ela achava que, como era uma esposa casta, seu dever era seguir os passos de seu amado marido. Removendo todos ornamentos reais de seu belo corpo e vestindo apenas um corte de pano, ela assim seguiu seu marido na floresta.

 

Afinal Kartavirya chegou ao topo do Monte Gandhamadana, onde realizou severas austeridades e penitências durante dez mil anos, meditando e orando ao Senhor Gadadhara, que maneja uma clava. Mas ainda assim não gerou um filho. Vendo seu querido marido definhar até virar pele e osso, Padmini pensou numa solução para o problema. Foi até a casta Anusuya.(2) Com grande reverência, Padmini disse: "ó grande senhora, meu querido marido, Kartavirya, tem realizado austeridades durante os últimos dez mil anos, mas o Senhor Keshava, único que pode remover nossos pecados passados e dificuldades presentes, ainda não ficou satisfeito com ele. ó mais afortunado ser, por favor conta-me que dia de jejum poderemos observar e assim agradar ao Senhor Supremo com nossa devoção, tanto assim que Ele nos abençoe com um bom filho que mais tarde governe o mundo como imperador."

 

Ao ouvir estas palavras de Padmini, que era muito casta e profundamente devotada a seu marido, a grande Anusuya respondeu-lhe num humor muito alegre: "ó linda senhora de olhos de lótus, usualmente existem doze meses num ano, mas após cada trinta e dois meses se adiciona mais um mês extra, e os dois Ekadashis que ocorrem durante esse mês se chamam Padmini Ekadashi e Parama Ekadashi. Caem nos Dvadashis da parte clara e obscura do mês, respectivamente. (3) Deves jejuar nestes dias e permanecer acordada durante a noite. Se assim fizerdes, a Suprema Personalidade de Deus, Hari, irá abençoar-te com um filho."

 

ó Narada, desta maneira Anusuya, a filha do sábio Kardama, explicou a potência destes Ekadashis especiais. Ouvindo isso, Padmini fielmente seguiu as instruçöes para realizar seu desejo por um filho. Padmini jejuou completamente, até de água, e permaneceu acordada toda a noite, cantando as glórias do Senhor e dançando em êxtase. O Senhor Keshava assim ficou muito satisfeito com sua devoção e apareceu diante dela, cavalgando o dorso do grande Garuda. O Senhor disse: "ó lindo ser, Me agradaste muito neste Ekadashi especial do mês extra. Por favor peça-Me uma benção."

Ouvindo estas sublimes palavras do supervisor do universo inteiro, Padmini ofereceu ao Senhor Supremo oraçöes devocionais e pediu-Lhe a benção desejada por seu marido. O Senhor Sri Krishna foi levado a responder: "ó gentil senhora, estou muito contente contigo, pois não há mês mais querido para mim que este, e os Ekadashis que ocorrem durante este mês para Mim são os mais queridos de todos Ekadashis. Seguiste as instruçöes de Anusuya perfeitamente, e portanto farei o que irá agradar-te. Tereis o filho tu e teu marido desejais."

 

O Senhor, que remove o sofrimento do mundo, então falou para o Rei Kartavirya: "ó rei, por favor peça-Me qualquer benção que irá realizar o desejo de teu coração, pois tua querida esposa Me satisfez grandemente."

 

O rei ficou muito feliz ao ouvir isso. Naturalmente ele pediu um filho como desejava há tanto tempo. "ó senhor do universo, ó matador do demônio Madhu, tenha a bondade de dar-me um filho que nunca será conquistado por semideuses, seres humanos, serpentes, demônios, ou duendes, mas que só tu poderás derrotar!" O Senhor Supremo imediatamente respondeu: "Que assim seja!" e desapareceu.

 

O rei ficou muito satisfeito com sua esposa e retornou a seu palácio na companhia dela. Padmini em breve ficou grávida e Kartaviryarjuna de braços poderosos, apareceu como seu filho. Era a pessoa mais forte em todos três mundos, e assim mesmo Ravana de dez cabeças não podia derrotá-lo no combate. Exceto o Senhor Narayana, que porta uma maça, disco e outros símbolos em suas mãos, ninguém podia vencê-lo. Pelo mérito que resultou da estrita e fiel observância do Padmini Ekadashi por sua mãe, ele pode derrotar até o temido Ravana. Isso não é de todo surpreendente, ó Naradaji, pois Kartaviryarjuna era a realização da benção da Suprema Personalidade de Deus." Com estas palavras, Pulastya Muni partiu."

 

O Senhor Supremo, Sri Krishna, concluiu: "ó Yudhishthira sem pecado, conforme indagaste, expliquei-te o poder deste Ekadashi especial. ó melhor dos reis, quem quer que observe este jejum certamente alcançará Minha morada pessoa. E similarmente, se quiseres ter todos teus desejos realizados, deves fazer o mesmo."

 

Ouvindo estas palavras de seu amado Keshava, Dharmaraja (Yudhishthira) ficou cheio de alegria, e quando chegou a época observou fielmente Padmini Ekadashi."

 

Suta Goswami concluiu: "ó sábio Shaunaka, expliquei para ti tudo sobre este Ekadashi meritório. Quem quer que jejue devotadamente nos Ekadashis que ocorrem durante os mêses extra do ano bisexto, cuidadosamente seguindo todas regras, se torna glorioso e alegremente retorna a Deus. E quem quer que meramente ouça ou leia sobre estes Ekadashis também obterá grande mérito e afinal entrará na morada do Senhor Hari."

 

Assim termina a narrativa das glórias de Padmini Ekadashi, o Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês extra do ano bisexto, conforme o Skanda Purana.

 

Notas:

 

(1) Segundo as escrituras, nos dias de jejum se deve evitar sal marinho porque Agastya Muni certa vez bebeu o oceano e o eliminou como urina. Ordinariamente o sal-gema é permitido.

 

(2) Anusuya é a esposa do grande sábio Atri e mãe de Dattatreya, a forma de três cabeças de Brahma, Vishnu e Shiva combinados.

 

(3) Sempre que há um mês extra, as quinzenas deste mês são divididas e adicionadas aos meses normais.

 

26 PARAMA EKADASHI

 

Yudhishthira Maharaja disse: "ó Senhor Supremo, qual o nome do Ekadashi que ocorre durante a quinzena obscura do mês extra no ano bisexto? E ainda, ó senhor de todos universos, qual o processo para observá-lo corretamente? Por favor narra-me tudo isso."

 

A Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna, respondeu: "ó Yudhishthira, este dia meritório se chama Parama Ekadashi. Confere a grande benção de uma vida agradável e afinal a liberação do nascimento e morte. O processo para observá-lo é similar àquele para observar o Ekadashi que ocorre durante a quinzena clara do mês extra do ano bisexto. Isto é, neste Ekadashi a pessoa deve adorar a Mim, o melhor de todos seres, com pleno amor e devoção. Com relação a isso agora contarei uma história maravilhosa, assim como ouvi dos grandes sábios na cidade de Kampilya.

 

Uma vez um brahmana muito piedoso chamado Sumedha residia em Kampilya com sua esposa, Pavitra, que era extremamente casta e devotada a seu marido. Devido a ter cometido algum pecado numa vida anterior, Sumedha estava sem dinheiro ou grãos alimentícios, e mesmo embora mendigasse de muitas pessoas para ter alimento, não conseguia obter qualquer quantidade substancial. Praticamente não tinha alimento adequado, vestes, ou abrigo para si e sua bela e jovem esposa, que tinha caráter tão excelente que continuava a servir Sumedha fielmente apesar da pobreza. Quando vinham convidados na casa deles, Pavitra lhes dava seu próprio alimento, e embora frequentemente ficasse com fome, seu belo rosto semelhante a um lótus nunca desbotava. Este jejuar tornou a fraca, mas sua afeição por Sumedha permanecia inquebrantável.

 

Vendo tudo isso, e lamentando sua má sorte, Sumedha certo dia disse para Pavitra: "Minha querida esposa, ó mais bela, mendigo doaçöes dos ricos mas mal ganho algumas sobras. Que devo fazer? Que possível alívio haverá para nossa sina? Onde devo ir para ter alívio? ó mais obediente e amorosa esposa, sem suficiente bens, os assuntos domésticos nunca são bem sucedidos. (1) Portanto por favor permita-me para o exterior e obter alguns bens. Se eu fizer tal esforço, certamente obterei a fortuna que me estiver destinada. Sem fazer algum esforço a pessoa não consegue satisfazer seus desejos ou atender a suas necessidades. Assim os sábios disseram que o esforço entusiasmado sempre é auspicioso. (2)"

 

Ao ouvir seu marido falar estas palavras, Pavitra juntou as palmas de suas mãos e, olhos transbordando lágrimas, falou para ele com grande respeito e afeição: "Penso que não há ninguém maior ou mais sábio que tu, meu querido. Quem, embora na miséria, está interessado no bem-estar dos outros, fala assim como falaste. Contudo, as escrituras declaram que qualquer fortuna que a pessoa obtenha nesta vida é devido a ter dado caridade em vidas anteriores, e que se não se deu caridade nas vidas prévias, então mesmo que se sente num monte de ouro do tamanho do Monte Sumeru, ainda se permanece pobre. (3) Qualquer caridade que a pessoa dê na forma de educação, dinheiro, terra fértil, e semelhantes, lhe é devolvida numa vida futura. Recebemos o que demos. De fato, aquilo que o Senhor do destino, o criador, escreveu como nossa fortuna certamente irá acontecer. Ninguém obtém riqueza sem ter dado caridade numa vida prévia. ó melhor dos brahmanas, como agora estamos pobres, em nossas vidas prévias nem tu nem eu devemos ter dado qualquer caridade a pessoas dignas. Portanto, ó gracioso marido, deves permanecer aqui comigo. Sem ti não consigo viver sequer por um momento.

 

Sem seu marido uma esposa não é bem-vinda por seu pai, mãe, irmão, sogro, ou qualquer membro familiar. Todos dirão: "Perdeste teu marido; és má sorte!" Desta maneira serei severamente criticada! (4) Por favor, portanto, fica aqui comigo e satisfaz-te com quaisquer bens obtenhamos. O que estiver destinado, obteremos no devido curso do tempo e desfrutaremos aqui em perfeita felicidade."

 

Tendo ouvido estas plangentes palavras de sua esposa, Sumedha decidiu permanecer no vilarejo natal deles. Certo dia o grande sábio Kaundinya chegou na casa deles, e ao vê-lo o brahmana Sumedha e sua esposa ficaram de pé diante dele e ofereceram suas respeitosas reverências. Com sua cabeça curvada, Sumedha deu as boas-vindas: "Somos muito afortunados por vê-lo aqui hoje, ó mais sábio dos sábios. Minha vida se tornou bem-sucedida, e me sinto muito obrigado a ti."

 

Sumedha ofereceu a Kaundinya Muni um assento confortável e louvou muito suas austeridades e erudição. "Só por ter seu darshana hoje" disse Sumedha, "me tornei muito afortunado." O pobre casal brahmana alimentou o sábio tão suntuosamente quanto podiam, e depois Pavitra perguntou ao mendicante: "ó mais sábio ser, que processo devemos seguir para sermos aliviados de nossa pobreza? Como pode uma pessoa que não deu qualquer caridade em sua vida anterior para conseguir boa família, muitos bens, e uma boa educação nesta vida? Meu marido quer deixar-me aqui e ir para o exterior mendigar donativos, mas implorei-lhe sinceramente que ficasse aqui comigo. Disse-lhe humildemente que se faltam bens na vida atual, é por não ter dado suficiente caridade em vidas pretéritas. E assim ele consentiu em ficar aqui. É só devido a minha grande fortuna que misericordiosamente vieste aqui hoje. Agora é certo que breve veremos o fim de nossa pobreza.

 

ó melhor dos brahmanas, por favor conte-nos como poderemos ser libertados desta perpétua miséria provocada pela pobreza. ó ser misericordioso, por gentileza descreva algum meio - um local de peregrinação que possamos visitar, ou uma austeridade que possamos realizar - pela qual nossa má fortuna termine para sempre."

 

Ouvindo esta sincera súplica daquela paciente senhora, o grande sábio Kaundinya refletiu silenciosamente por um momento e depois disse: "Existe um dia de jejum muito querido pela Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Hari. Jejuar neste dia nulifica todo tipo de pecados e remove todas misérias causadas pela pobreza. Este dia de jejum, que ocorre durante a quinzena obscura do mês extra do ano bisexto, é conhecido como Parama Ekadashi. É o maior dia do Senhor Vishnu. Este Ekadashi do mês extra na quinzena obscura concede todas necessidades de vida, tais como dinheiro e grãos alimentícios, e afinal dá liberação. Quando vem a noite deste dia, deve-se começar a cantar as glórias do Senhor e dançar em êxtase, e deve-se continuar pela noite toda.

 

Este sagrado jejum certa vez foi observado fielmente pelo Senhor Kuvera. Quando o Senhor Shiva viu quão estritamente ele jejuara, Shiva ficou muito satisfeito e tornou Kuvera tesoureiro do céu. Também o Rei Harishchandra jejuou neste Ekadashi depois que sua querida esposa e filho tinham sido vendidos, e o rei pode reavê-los. Depois disso ele governou seu reino sem mais nenhum impedimento. Portanto, ó senhora de grandes olhos, deves observar este sagrado jejum de Parama Ekadashi, seguindo todas regras e regulaçöes apropriadas e permanecendo acordada toda a noite."

 

O Senhor Krishna continuou: "ó Yudhishthira, filho de Pandu, desta maneira Kaundinya Muni misericordiosa e afetuosamente instruiu Pavitra sobre o jejum de Parama Ekadashi. Depois falou para Sumedha: "No Dvadashi, o dia após Ekadashi, deves fazer voto de observar jejum de Pancharatrika conforme as regras e regulaçöes. Após tomar banho cedo de manhã, tu e tua boa esposa, junto com teus pais e os dela, devem jejuar por cinco dias de acordo com sua capacidade. Então vos tornareis todos qualificados para retornar para casa, para a morada do Senhor Vishnu.

 

Uma pessoa que simplesmente se utiliza apenas de um assento durantee estes cinco dias vai para os planetas celestiais. Quem quer que alimente bem brahmanas qualificados nesses cinco dias de fato alimentou todos semideuses, todos seres humanos, e mesmo todos os demônios. Quem quer que doe um pote de água potável a um brahmana duas-vezes nascido durante este período de cinco dias de jejum obterá mérito igual a doar o planeta inteiro como caridade. Quem quer que dê para uma pessoa erudita um pote cheio de sementes de gergelim reside no céu por tantos anos quanto haja sementes no pote. Quem doa um pote cheio de ghee dourado certamente irá para a morada do deus do sol após gozar plenamente dos prazeres deste planeta terreno. Quem quer que permaneça celibatário durante estes cinco dias obterá felicidade celestial e desfrutará com as donzelas de Indraloka. Portanto ambos - Sumedha e Pavitra - deveis jejuar durante estes cinco dias de Pancaratrika a fim de serdes recompensados com amplos grãos e bens para o resto de vossas vidas neste planeta. O mundo espiritual será vossa morada depois disso."

 

Ouvindo este sublime conselho, o casal brahmana, Sumedha e Pavitra, observaram devidamente Parama Ekadashi e o jejum de Pancaratrika, e dentro em breve viram um belo príncipe se aproximando deles vindo do palácio real. Sob ordens do Senhor Brahma, o príncipe lhes deu uma bela casa finamente mobiliada e os convidou a viver nela. Louvando sua austeridade e paciência, também lhes deu um vilarejo inteiro para seu sustento. Então ele retornou ao palácio. Assim Sumedha e sua esposa gozaram de todo tipo de facilidades neste mundo e afinal foram para a morada de Vishnu.

 

Quem quer que observe um jejum no Parama Ekadashi e também o jejum de Pancaratrika, se liberta de todos seus pecados, e depois de desfrutar da vida aqui retorna a Vishnuloka, como fizeram o brahmana Sumedha e sua fiel esposa Pavitra. É impossível, ó Yudhishthira, calcular a extensão do mérito que se obtém por jejuar no Parama Ekadashi, pois tal observância é igual a tomar banho em local de peregrinação como o Lago de Pushkara e o Rio Ganges, dar vacas em caridade, e realizar toda sorte de outras atividades religiosas. Quem jejua neste dia também completou as oferendas de oblaçöes a seus antepassados em Gaya. Com efeito, jejuou em todos outros dias auspiciosos.

 

Como na ordem social o brahmana é considerado o melhor, como entre as criaturas de quatro pernas a vaca é a melhor, e como entre semideuses o Senhor Indra é o melhor, assim entre os meses o mês extra do ano bisexto é o melhor. O jejum Pancaratrika - o jejum de cinco dias no mês extra do ano bisexto - dizem remover todos tipos de pecados abomináveis. Mas o jejum Pancaratrika, junto com os jejuns no Parama e Padmini Ekadashis, destrói todos pecados da pessoa. Se uma pessoa é incapaz de jejuar em todos esses dias, deve observar os jejuns durante o mês extra conforme sua capacidade. Uma pessoa que, tendo recebido um nascimento humano, não toma um devido banho durante este mês extra e depois observa estes Ekadashis, que são muito queridos pelo Senhor Hari, comete suicídio e sofre no ciclo de 8.400.000 espécies. O raro nascimento humano destina-se a acumular mérito e afinal atingir a liberação. Portanto deve-se de qualquer maneira observar jejum neste auspicioso Parama Ekadashi."

 

O Senhor Sri Krishna concluiu: "ó Yudhishthira sem pecado, conforme pediste, descrive para ti o maravilhoso mérito que se pode obter por jejuar no Ekadashi chamado Parama, que ocorre durante a parte obscura do mês extra do ano bisexto. Deves observar este jejum se é de todo possível."

 

O Rei Yudhishthira fez exatamente como o Senhor Krishna havia instruído, e assim também fizeram todos seus irmãos e sua esposa, Draupadi. Após desfrutar prazeres raramente obtidos neste mundo material, retornaram ao lar, de volta para Deus. Quem quer que, após tomar o devido banho, observe um jejum nestes dois Ekadashis do mês extra irá para o céu e finalmente obterá a morada de Sri Vishnu, e enquanto viaja para lá será louvado e receberá oraçöes de todos semideuses.

 

Assim termina a narrativa das glórias de Parama Ekadashi, o Ekadashi que ocorre durante a quinzena obscura do mês extra do ano bisexto, conforme o Skanda Purana.

 

Notas:

 

(1) Chanakya Pandita diz na vandhu madhye dhanahina jivanam: "Sem bens, a vida de um chefe-de-família é inútil."

 

(2) As escrituras reveladas declaram udyoginah singham upaiti lakshmi daivena deyati ka purushah vadanti: "Quem se esforça entusiasticamente certamente obterá sucesso, mas quem meramente diz "Aceito minha sorte na vida" é um homem preguiçoso."

 

(3) As escrituras védicas declaram:

purva-janmarjitam vidya

purva-janmarjitam dhanam

purva-janmarjitam kanya

agre dhavati dhavatih

 

"Conhecimento transcendental, educação espiritual, bens satisfatórios, e agradar membros familiares é o que adquire a pessoa que deu profusa caridade. Qualquer bem que a pessoa faça retorna para ela multiplicado."

 

No Manu-miti, Manu Maharaja diz bhagyam phalanti sarvatra na ca vidya na ca paurusham: "O que estiver predestinado por Viddhata, aquele que faz a fortuna, certamente irá acontecer. Nossa assim-chamada boa educação, habilidade, e entusiasmo não trarão sucesso."

 

(4) O Niti-shastra diz vinya ashraye na tishthanti panditah vanita latah: "Sem o devido abrigo e apoio r austeridade. Se seu marido estiver satisfeito, ela pensa que o Senhor Supremo e todos semideuses estão contentes. O Senhor Supremo inclui todos os semideuses."

 

 

SOBRE O AUTOR

 

 

Krishna Balaram Swami (Balaram Sharma) nasceu numa família de Vaisnavas em 1º de julho, 1956 em Vrndavana, o local mais sagrado da India. Apareceu numa esclarecida família Gauda-brahmana descendente de Kashyapa Muni (um dos sete filhos mentais de Brahma) especializada no Yajur Veda. O local de nascimento de Balaram Sharma ficava à sombra de um antigo templo de Krishna-Balarama em Nandagram, principal vilarejo de Vrndavana e local onde o Senhor Krishna desfrutou de Seus primeiros passatempos infantis há uns cinco mil anos atrás.

 

Balaram e seus quatro irmãos mais novos trouxeram grande alegria ao pai deles, Sri Hare Krishna Pandeya, que era um brahmana ortodoxo e renomado estudioso e astrólogo, bem como mestre espiritual de centenas de pessoas na área de Vrndavana. Tendo calculado o horóscopo de Balaram, Sri Hare Krishna Pandeya começou a anunciar para os convidados visitantes: "Este filho será o primeiro em nossa família a pregar cultura védica no idioma inglês." E a mãe de Balaram também fez uma previsão, após ler sua palma da mão: "Este menino se tornará um distinto sannyasi (renunciante)". Ambas previsöes se cumpriram.

 

Mesmo antes de ter idade escolar, Balaram foi levado pela India afora por seu pai quando visitou os mais importantes centros espirituais e templos. Em Vrndavan Balaram exibiu atração espontânea por tocar o tambor mrdanga e karatalas (címbalos) durante Krishna bhajans e kirtanas. Frequentemente acompanhava seu pai durante suas visitas regulares aos famosos templos de Krishna e outros locais sagrados em Vrndavana, tais como o bhajan kutir de Lokanatha Goswami no Radha-kunda.

 

Sri Hare Krishna Pandeya não queria que Balaram fosse influenciado pelo materialismo nas escolas públicas, portanto ensinava Balaram pessoalmente em casa, dando especial atenção a treiná-lo na memorização de versos sânscritos do dicionário Amara-kosha que tratavam das muitas escolas de filosofia indiana. Quando Balaram completou oito anos, seu pai matriculou-o na conhecida Nimbarka Maha-vidyalaya de sânscrito, onde ele aprendeu as principais matérias em apenas seis anos e se tornou proficiente em gramática sânscrita e literatura. Após transferir-se para uma faculdade inglesa, Balaram obteve pleno comando do idioma inglês e completou sua educação em 1973.

 

Antes de deixar a faculdade, leu muitos dos livros de Srila Prabhupada, inclusive Sri Ishopanishad, Néctar da Devoção, Bhagavad-gita Como Ele É. Atraído e impressionado por estes livros, Balaram decidiu juntar-se a recém-aberta filial da ISKCON em Vrndavana. Enquanto ainda frequentava a faculdade, mudou-se para a rústica residência no local da construção do templo Krishna-Balaram, na tranquila área de Ramana-Reti de Vrndavana.

 

Em 1975, na grande inauguração do templo Krishna-Balaram, Srila Prabhupada aceitou formalmente Balaram como seu discípulo, dando-lhe o nome de Krishna Balaram dasa. Após receber a segunda iniciação pouco depois disso, Krishna Balaram começou a pregar consciência de Krishna pela India afora, e em 1977, por ordem de Srila Prabhupada, viajou para Sri Lanka para divulgar a ciência de Krishna ali.

 

Realizando a profecia de seu pai e os desejos de seu mestre espiritual eterno, Srila Prabhupada, Krishna Balaram tem continuado a disseminar os ensinamentos de Krishna pela Europa, Canadá, e Estados Unidos. Seu esmerado conhecimento das escrituras, aliado à sua pureza espiritual, seu "encanto de Vrndavana", e seu colorido porém claramente compreensível inglês, tem atraído novatos para a sociedade ISKCON de Srila Prabhupada.

 

Depois que Krishna Balaram recebeu iniciação de sannyasa em 1983, muitos devotos estudiosos o encorajaram a traduzir obras Vaisnavas do sânscrito para inglês. Esperamos que este primeiro livro, Ekadashi - o dia do Senhor Hari, agrade à comunidade dos Vaisnavas e encoraje os não-devotos que o lerem a embarcar na senda do serviço devocional puro ao Senhor Krishna, a Suprema Personalidade de Deus.

 

 

 

GLOSSARIO

 

 

 

Acamana - ritual de purificação no qual se sorve água e simultaneamente se canta os santos nomes do Senhor Supremo.

 

Acharya - um mestre espiritual que ensina pelo exemplo.

 

Agastya Muni - um grande sábio autor de muitos hinos e escritos védicos sobre medicina ayurvédica. O filho de Mitra e Varuna, nasceu de uma jarra d'água. Certa vez engoliu o oceano e forçou a cadeia montanhosa Vindhya a prostrar-se diante dele.

 

Agni - semideus do fogo. Atua como a língua do Senhor Krishna nos sacrifícios de fogo.

 

Agnistoma - sacrifício realizado por uma pessoa que quer ir para o céu. Requer-se um mínimo de dezesseis sacerdotes para este sacrifício, que dura cinco dias.

 

Agrahayana - nome do mês de Margashirsha (nov/dez). No Vaisnavismo contemporâneo é conhecido como o mês de Keshava.

 

Alakapuri - residência de Kuvera, tesoureiro dos semideuses. Fica num pico nos Himalayas.

 

Amalaki - árvore que Narada Muni trouxe do mundo espiritual para o reino material para agradar o Senhor Supremo. Seus frutos são muito ricos em vitamina C.

 

Amarakosha - dicionário de sânscrito e pequena enciclopédia largamente utilizado no ensino do sânscrito.

Amaravati - capital da morada celestial de Indra. Possui o poder de aumentar muito o tempo de vida de seus residentes.

 

Amavasya - a noite da lua nova, ou lua negra, quando vários sacrifícios são oferecidos tanto aos semideuses como aos demônios.

 

Angira Rishi - um dos sete sábios do primeiro manvantara, todos os quais nasceram diretamente do Senhor Brahma. Um dos Prajapatis, é o autor dos escritos védicos sobre astronomia.

 

Anusuya - esposa de Atri Muni, o sábio dentre os semideuses. É a mãe do Senhor Dattatreya de três cabeças.

 

Apsara - linda mulher na sociedade dos planetas celestiais.

 

Arca-murti - forma autorizada da Deidade que é adorada formalmente. Pode ser feita em pedra, metal, terra, areia, madeira, tinta, ou jóias, ou até na mente.

 

Arjuna - um dos cinco irmãos Pandavas e amigo chegado de Krishna. O Senhor falou o Bhagavad-gita para ele.

 

Ashoka - árvore com longas folhas pontiagudas. A Deusa Sita foi colocada sob uma árvore ashoka após ser raptada por Ravana.

 

Ashrama - casa do mestre espiritual, ou residência utilizada para propósitos espirituais por estudantes celibatários, chefes-de-família, reclusos, ou renunciantes.

 

Astavakra - fundador da filosofia Mayavada, que declara que a refulgência espiritual (Brahman) é a causa de todas causas.

 

Ashvamedha-yajna - sacrifício de cavalo. Um dos oito recomendados pelas escrituras védicas, é realizado por reis.

 

Ashvina - terceiro mês do jejum de quatro meses, Chaturmasya.

 

Atharva Veda - quarto Veda, consistindo primordialmente de fórmulas e cantos destinados a contrariarem os efeitos da doença e calamidade.

 

Atri Rishi - um dos sete sábios. É o marido de Anusuya e pai de Dattatreya. Contibuiu para o conhecimento da astronomia.

 

Ayurveda - ciência da medicina transmitida pelo Senhor Danvantari, encarnação do Senhor Supremo como médico. Nasceu do oceano de leite quando este foi batido pelos demônios e semideuses na Satya-yuga. Expôs as três categorias da medicina.

 

Badarikashrama - local sagrado de peregrinação nos Himalayas. É a morada do Senhor Nara-Narayana, que sentou sob uma árvore badari (ameixeira) para realizar austeridades.

 

Bakula - flor fragrante muito agradável ao Senhor Krishna.

 

Bel-phala - fruto da árvore bel. É especialmente querido pelo Senhor Shiva e tem grande valor medicinal. Sua polpa é muito suavizante.

 

Bhagavad-gita - os ensinamentos sagrados da Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna, falados para Seu amigo Arjuna no campo de batalha de Kurukshetra. A tradução inglesa de Srila Prabhupada com comentários se chama Bhagavad-gita Como Ele É.

 

Bhagavan - a Suprema Personalidade de Deus, que possui plenamente as opulências de riqueza, beleza, força, conhecimento, fama, e renúncia.

 

Bhakti-sandarbha - um dos seis tratados sobre a ciência do serviço devocional escrito por Sri Jiva Goswami.

 

Bharata-varsha - nome da Terra (agora India), derivado do Rei Bharata, um grande rei que era filho mais velho do Senhor Rishabhadeva.

 

Bhavishya Purana - um dois dezoito Puranas. Foi falado pelo Senhor Brahma e trata de eventos futuros e ritos e observâncias religiosas.

 

Bhavishya-uttara Purana - última seção do Bhavishya Purana.

 

Bhishmadeva - avô dos Pandavas, e mais poderoso e venerável guerreiro no campo de batalha de Kurukshetra. Foi reconhecido como um dos doze mahajanas, autoridades no serviço devocional ao Senhor.

 

Brahma - primeiro ser criado no universo. Doze de suas horas equivalem a 4.320.000.000 anos terráqueos, e seu tempo de vida é mais do que 311 trilhöes de nossos anos.

 

Brahmachari - estudante celibatário; membro da primeira ordem de vida espiritual.

 

Brahma-muhurta - período auspicioso de uma e meia horas até cinquenta minutos antes do alvorecer.

 

Brahmana - pessoa duas-vezes nascida e líder das ordens sociais na sociedade; perito em conhecimento védico e consciência de Deus.

 

Brahmanda Purana - um dos dezoito Puranas. Foi revelado pelo Senhor Brahma e contém conhecimento sobre este brahmanda ou universo esférico, e futuros milênios.

 

Brahmani - esposa de um brahmana.

 

Brahma-vaivarta Purana - um dos dezoito Puranas. Contém oraçöes e invocaçöes dirigidas ao Senhor Sri Krishna, bem como descriçöes de Seus passatempos transcendentais com Srimati Radharani e as outras pastorinhas de Vrndavana.

 

Chaithanya-charitamrta - biografia do Senhor Chaitanya Mahaprabhu por Srila Krishnadasa Kaviraja Goswami. Escrita em Bengali, com muitos versos sânscritos também, é considerado o livro mais autorizado sobre a vida e ensinamentos do Senhor Chaitanya.

 

Chaitanya Mahaprabhu - Senhor Krishna no aspecto de Seu próprio devoto. Descendeu para ensinar o amor puro por Deus por meio do sankirtana, canto congregacional dos santos nomes de Deus.

 

Chakora - pássaro que só bebe água do Shvati Nakshatra.

 

Champaka-pushpa - flor amarelada e muito fragrante da árvore champaka. Esta flor é muito querida por Krishna.

 

Chanakya - conselheiro brahmana do Rei Chandragupta, que reverteu a invasão da India por Alexandre o Grande.

 

Chaturdasi - décimo quarto dia da lua minguante e crescente.

 

Cintamani - jóia espiritual encontrada no reino transcendental. Realiza todos desejos de quem a possui.

 

Citragupta - secretário pessoal de Yamaraja, que é senhor da morte. Ele registra os atos piedosos e maus das entidades vivas.

 

Citrasena - filho de Vishva-vasu e líder dos Gandharvas, músicos do céu.

 

Cyavana - filho de Bhrgu Muni e autor de um texto sobre astronomia. Ele é um dos sete grandes sábios do segundo manvantara.

 

Dal - sementes comestíveis de vários legumes. Ervilhas, feijöes, e lentilhas são exemplos. Exceto o dal rosa, todos são comidos pelos devotos de Krishna.

 

Dakshina - presente dado ao mestre espiritual no ato da iniciação.

 

Dalbhya Muni - sábio antigo e gramático.

 

Damodara - nome de Sri Krishna significando "alguém amarrado na cintura por uma corda". Este nome refere-se ao passatempo do Senhor de permitir que mãe Yashoda O amarrasse.

 

Dandavat - reverência prostrada oferecida a uma personalidade elevada, tal como o mestre espiritual ou a Suprema Personalidade de Deus. A palavra literalmente significa "como uma vara". Vide também Sastanga-pranama.

 

Darshana - ato de ver e ser visto pela Deidade no templo ou uma pessoa espiritualmente avançada.

Dashami - dia antes de Ekadashi, quando nos preparamos para observar o sagrado jejum.

 

Dattatreya - encarnação combinada de Brahma, Vishnu, e Shiva. Nasceu de Anusuya com Atri Muni.

 

Davanala - incêndio florestal; frequentemente se refere ao fogo auto-engendrado da existência material.

 

Devaki - mãe do Senhor Krishna. Era filha do Rei Devaka e esposa de Vasudeva.

 

Devarishi - um sábio entre os semideuses; geralmente se refere a Narada Muni.

 

Devashayani - o Ekadashi que ocorre quando os semideuses vão dormir.

 

Devotthani - o Ekadashi que ocorre quando os semideuses acordam do sono.

 

Dhananjaya - nome de Arjuna significando "aquele que obtém grande riqueza através da conquista". Este nome se refere ao fato de Arjuna ter coletado grande riqueza para o sacrifício Rajasuya de Yudhishthira.

 

Dharmaraja - nome de Yudhishthira, primeiro filho de Pandu, ou para Yamaraja, o senhor da morte. Significa "rei da religiosidade".

 

Dilipa - filho de Ansuman e pai de Bhagiratha. Nasceu na dinastia solar e foi ancestral do Senhor Ramachandra.

 

Dosha - um dos três constituintes do corpo, segundo o Ayurveda. São kapha (muco), pitta (bílis), e vayu (ar).

 

Dvadashi - dia seguinte ao Ekadashi, quando se quebra o jejum por comer grãos.

 

Gadadhara - nome da Personalidade de Deus significando "aquele que maneja uma maça (numa de Suas quatro mãos)."

 

Gandhamadana - montanha situada a leste do Monte Meru. Conhecida por suas fragrantes florestas, forma o limite entre Ilavrta-varsha e Bharata-varsha.

 

Garuda - filho de Aditi e Kashyapa que toma a forma de uma águia, eterna montaria do Senhor Vishnu.

 

Gautama Muni - um dos sete filhos nascidos da mente do Senhor Brahma. Pertence à família de Angira Rishi e é o autor do Nyaya-shastra, a ciência da lógica, que explica que a combinação dos átomos é a causa de tudo.

 

Gaya - a cidade, agora no estado de Bihar, onde o Senhor Buddha obteve nirvana. Este é um dos quatro locais na India onde muitos peregrinos vem para oferecer oblaçöes a ancestrais falecidos.

 

Gayatri - mantra sagrado que um brahmana canta silenciosamente três vezes ao dia.

 

Ghee - manteiga clarificada. Usada na cozinha, na realização de sacrifícios, e para outras atividades de adoração.

 

Goloka - planeta mais elevado no reino de Deus. Também conhecido como Krishnaloka.

 

Goswami - pessoa que tem seus sentidos plenamente sob controle; título da pessoa na ordem renunciada de vida, sannyasa.

 

Govinda - nome do Senhor Krishna que significa "Aquele que dá prazer aos sentidos, aos brahmanas, às vacas, e à Terra."

 

Hanuman - macaco que era grande devoto do Senhor Ramachandra. Décima primeira porção de Rudra, apareceu como o filho de Vayu, deus do ar, e Anjana, filha de Gautama Rishi.

 

Hari - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que remove os obstáculos do nosso progresso espiritual".

 

Haridvara (Hardwar) - famoso local de peregrinação no norte, ao pé dos Himalayas. Foi para onde Ajamila foi para se purificar, onde Prajapati Daksha realizou seu sacrifício e perdeu sua filha Sati, e onde algumas gotas de néctar caindo da mão de Mohini-murti, a encarnação do Senhor como mulher, caíram. Por que essas gotas de néctar caíram, há um Kumbha-mela aqui a cada doze anos. Hoje em dia a cidade é conhecida como Haradwara, significando "portão para o Senhor Shiva".

 

Harishchandra - vigésimo oitavo rei na Treta-yuga. Apareceu na dinastia do sol como o filho de Trishanku, e é celebrado no Markandeya Purana como o rei piedoso que satisfez Vishvamitra Muni sacrificando seu reino, esposa e filho.

 

Hrshikesha - nome do Senhor Supremo significando "senhor dos sentidos".

 

Iksvaku - filho do deus do sol, Vivasvan, e primeiro rei do planeta Terra.

 

Indra - rei do céu. É o filho de Aditi e principal semideus administrativo.

 

Isha - a Suprema Personalidade de Deus.

 

Jagannatha - o Senhor do Universo, que aparece em madeira na forma da Deidade em Puri, India.

 

Jaimini - propagador da filosofia Karma-mimamsa. Teorizava que se a atividade fruitiva for bem executada, então Deus é obrigado a dar os resultados.

 

Jambira - fruta cítrica com numerosas sementes.

 

Janardana - nome para a Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que é a morada original e protetor de todos seres vivos".

 

Japa - cantar os santos nomes do Senhor baixinho em contas.

 

Jatayu - devoto do Senhor Rama que era rei dos abutres, filho de Aruna, e irmão de Sampati. Lutou com o demônio Ravana, quando este último raptou Sita, a consorte do Senhor Ramachandra.

 

Jnanagamya - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que compreendeu através do conhecimento dos Vedas".

 

Kabandha - filho de Sri. Indra certa vez apertou suas pernas e cabeça para dentro de sua barriga como punição. Indra previu que até que seus longos braços fossem cortados pelo Senhor Rama (o que mais tarde aconteceu), Kabandha não conseguiria ter paz.

 

Kali-yuga - a era atual, última e mais curta das quatro eras cíclicas do universo. Nesta era da hipocrisia e discórdia, o Senhor Supremo advém na forma do Senhor Chaitanya e do Santo Nome.

 

Kanada - propagador da filosofia Vaisheshika, que declara que os átomos são a causa original da criação.

 

Kashyapa Muni - um dos sete filhos mentais do Senhor Brahma.

 

Kunkuma - pó vermelho usado por mulheres casadas para decorar suas testas.

 

Kunti-devi - mãe dos Pandavas e tia do Senhor Krishna.

 

Kurma Purana - um dos dezoito Puranas. Descreve os passatempos da encarnação de tartaruga do Senhor.

 

Kurukshetra - campo de batalha a noventa milhas ao norte de Nova Delhi onde o Senhor Krishna falou o Bhagavad-gita e foi travada uma grande guerra. É um local de peregrinação.

 

Lakshmana - irmão mais jovem do Senhor Ramachandra. Encarnação de Shankarshana, acompanhou Rama e Sita em Seu exílio.

 

Lanka - a cidade dourada de Ravana, situada apenas a oitocentas milhas ao sul da India.

 

Loka-pala - termo genérico para a deidade que preside sobre uma das direçöes: Indra no leste, Agni no sudeste, Yama no sul, Surya no sudeste, Varuna no oeste, Vayu no noroeste, Kuvera no norte, e Chandra no nordeste.

Madhava - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que apareceu na dinastia Madhu". Também é um nome para a dinastia Yadu.

 

Maha-dvadasi - dia após Ekadashi, celebrado em vez do Ekadashi devido à coincidência astrológica. O Senhor Krishna chama-o de Ekadashi se um jejum for observado naquele dia.

 

Maha-maya - natureza material; potência externa do Senhor Supremo, que confunde as entidades vivas condicionadas. É personificada como Durga-devi.

 

Maha-prasadam - alimento santificado que consiste de restos do prato oferecido diretamente ao Senhor.

 

Maharaja - termo de tratamento para um rei ou pessoa na ordem renunciada.

 

Mahashakti - potência interna do Senhor Supremo.

 

Malyavan - um grande demônio.

 

Manasarovara - lago ao norte da India, perto do Monte Kailasha.

 

Mandaracala - montanha usada pelos semideuses e demônios para bater o oceano de leite e assim extrair o néctar.

 

Manjari - flor da planta tulasi. Manjaris, junto com folhas de tulasi, são oferecidos apenas para a Suprema Personalidade de Deus. Devem ser frescos.

 

Manjughosha - senhora da sociedade dos planetas celestiais.

 

Mantra - vibração sonora pura que, quando repetida seguidamente, libera a mente da contaminação material.

 

Manu - Svayambhuva Manu, o pai original e legislador da raça humana; também, nome genérico para qualquer dos governantes universais que aparecem a cada dia do Senhor Brahma. Seus nomes: 1. Svayambhuva 2. Svarocisha 3. Uttama 4. Tamasa 5. Raivata 6. Cakshusha 7. Vaivasvata 8. Savarni 9. Daksha-savarni 10. Brahma-savarni 11. Dharma-savarni 12. Rudra-savarni 13. Deva-savarni 14. Indra-savarni.

 

Markandeya Rishi - antigo sábio que narrou o Markandeya Purana, que descreve a natureza de Krishna. Contemplou o Senhor deitando numa folha de banyan durante o período da devastação universal.

 

Maruts - deuses do ar. São 49 e filhos de Diti.

 

Mata Saci - mãe do Senhor Sri Chaitanya Mahaprabhu e esposa de Nilambara Chakravarti.

 

Math - templo do Senhor com uma residência anexa para brahmacharis (estudantes celibatários) e sannyasis (renunciantes) viverem.

 

Mayavada - Vide Astavakra.

 

Mimamsa - Vide Jaimini.

 

Mohini - encarnação do Senhor Supremo como mulher. Distribuiu o néctar produzido pelo bater do oceano de leite. Também foi assediada pelo Senhor Shiva.

 

Mrttika - barro derivado da terra molhada.

 

Mukunda - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "salvador das almas caídas".

 

Naga - serpente. Shesha-naga é a encarnação do Senhor Shankarshana, ou Baladeva.

 

Nagapatni - esposa de uma serpente.

 

Nagara - uma cidade.

 

Naimisharanya - floresta onde dezoito Puranas foram falados e que dizem ser o cubo da roda do universo.

 

Nakshatra - um asterismo. Na astrologia védico há 27 asterismos.

 

Nakula - mangusto, inimigo das serpentes. Também, o quarto irmão Pandava.

 

Nandana-kanana - linda floresta no mundo celestial onde o Senhor Indra se diverte com sua esposa e onde há música e dança celestiais.

 

Nara - a raça humana ou ser humano.

 

Narada Muni - devoto puro do Senhor que viaja pelo universo divulgando a ciência de bhakti. É um dos filhos do Senhor Brahma, nascido de sua deliberação.

 

Narakeshvara - nome do Senhor Supremo, bem como de Yamaraja, significando "Aquele que está encarregado das regiöes infernais".

 

Narayana - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que é a fonte e meta de todas entidades vivas".

 

Navami - nono dia da lua minguante ou crescente.

 

Nirjala - jejuar completamente, até de água.

 

Nrshimha Purana - um dos dezoito Puranas. Descreve os passatempos do Senhor Supremo em sua encarnação meio-homem, meio-leão.

Nyaya - vide Gautama.

 

Padmanabha - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que tem uma flor de lótus brotando de Seu umbigo" ou "Aquele cujo umbigo parece um lótus".

 

Padma Purana - um dos dezoito Puranas. Consiste de uma conversa entre o Senhor Shiva e sua esposa Parvati.

 

Pancali - Draupadi, esposa dos Pandavas.

 

Pancaratrika - processo de adorar a Deidade, conforme explicado por Narada Muni. Também um jejum de cinco dias, conforme explicado por Kaundinya Rishi.

 

Pandavas - os cinco irmãos kshatriyas Yudhishthira, Bhima, Arjuna, Nakula, e Sahadeva. Eram amigos íntimos do Senhor Krishna e herdaram a liderança do mundo quando de sua vitória sobre os Kurus na batalha de Kurukshetra.

 

Pandu - pai dos cinco irmãos Pandavas.

 

Papaharini - nome do Ekadashi que ocorre durante a parte obscura do mês de Caitra. Significa "aquilo que leva embora o pecado". Outro nome para esse dia, com o mesmo significado, é Papamocani.

 

Papankusha - nome do Ekadashi que ocorre durante a parte clara do mês de Ashvina. Significa "aquilo que tem o poder de trespassar o pecado personificado."

 

Parijata - extraordinária flor branca cheirosa que o Senhor Krishna trouxe dos planetas celestiais para Sua esposa Rukmini.

 

Parvata Muni - grande sábio que é companheiro constante de Narada Muni.

 

Parvati - Sati, consorte do Senhor Shiva. Renasceu como filha de Himalaya depois de auto-imolar-se num fogo místico na arena sacrificial de Daksha.

 

Pasha - laço místico usado para capturar Bali Maharaja.

 

Patala - sétima camada dos sistemas planetários inferiores, onde reina Bali Maharaja.

 

Patanjali - propagador do yoga místico. Imaginava a forma da Verdade Absoluta em tudo.

 

Pishacha - duende seguidor de Shiva.

 

Prabodhini - vide Devotthani.

 

Prajalpa - conversa fiada sobre assuntos mundanos.

 

Prashadam - alimento santificado. Vide também Maha-prasadam.

 

Prayaga - nome original de Allahabad. Um Magha-mela e um Kumbha-mela são celebrados ali. Nessas ocasiöes milhöes se banham na confluência de três rios sagrados - o Ganges, o Yamuna, e o Sarasvati.

 

Prtha - mãe dos Pandavas e tia do Senhor Krishna. Vide também Kunti-devi.

 

Pundarikaksha - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele cujos olhos são como o lótus avermelhado."

 

Punya-karma - atividades piedosas, que ajudam a liberar-nos do ciclo de nascimentos e morte no mundo material.

 

Purana - relato histórico das atividades do Senhor Supremo e de Seus devotos.

 

Purusha-shukta - hino sagrado glorificando a Superalma do universo.

 

Purushottama - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "a pessoa mais exaltada".

 

Purvashadha - um dos 27 asterismos na astrologia védica.

 

Pushkara - lago na India ocidental querido pelo Senhor Brahma. Neste local de peregrinação fica o único templo autorizado do Senhor Brahma no mundo.

 

Pushpadanta - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele cujos dentes são brancos como uma flor de jasmim". Também, um devoto do Senhor Shiva conhecido por seu talento poético.

 

Radharani - a personificação da potência de prazer do Senhor Krishna. Apareceu neste mundo como filha do Rei Vrshabhanu e Kirti-devi e é Rainha de Vrndavana.

 

Radhashtami - aniversário de aparecimento de Srimati Radharani.

 

Raghava - O Senhor Ramachandra, que apareceu na dinastia Raghu, a dinastia solar.

 

Rajasuya-yajna - sacrifício elaborado que estabelece quem é o imperador do mundo. Foi realizado por Maharaja Yudhishthira antes da batalha de Kurukshetra.

 

Ramachandra - a encarnação da Suprema Personalidade de Deus como filho de Maharaja Dasaratha e matador de Ravana.

 

Rama Navami - aniversário de aparecimento do Senhor Ramachandra.

 

Ravana - um grande demônio morto pelo Senhor Ramachandra. O passatempo é descrito no poema épico Ramayana, pelo sábio Valmiki.

 

Rtvik - aquele que atua representando seu preceptor.

 

Saci-devi - mãe de Sri Chaitanya Mahaprabhu.

 

Sahadeva - quarto irmão Pandava e gêmeo de Nakula.

 

Sahasra-shirsha - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que tem mil cabeças".

 

Shivaísta - quem adora Shiva como o Senhor Supremo.

 

Shivaísmo - filosofia da Shiva-sampradaya, a sucessão discipular descendente do Senhor Shiva.

 

Shaka - vegetal folhoso favorito do Senhor Chaitanya.

 

Shala - árvore de madeira nobre enontrada no norte da India.

 

Shalagrama-shila - Deidade adorável do Senhor na forma de uma pedra redonda. É descrita em detalhe no canto final do Padma Purana.

 

Sama Veda - terceiro dos quatro Vedas. Explica a ciência marcial.

 

Sanatana-dharma- literalmente, a "eterna atividade da alma."

 

Shankoddhara - local onde o Senhor matou Shankasura.

 

Sankranti - dia quando termina o mês bengali. Também a passagem do sol ou qualquer outro planeta de um signo zodiacal para outro.

 

Sarva-kamada - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que realiza os desejos de Seus devotos."

 

Sashtanga-pranama - respeitosa reverência executada prostrando-se as oito partes do corpo (coxas, pés, mãos, peito, pensamentos ou devoção, cabeça, voz e olhos fechados). Vide também Dandavat.

 

Shastra - escritura.

 

Sat-sandarbha - seis tratados sobre a ciência do serviço devocional por Srila Jiva Goswami. São o Tattva-sandarbha, Krishna-sandarbha, Bhagavat-sandarbha, Paramatma-sandarbha, Bhakti-sandarbha e Priti-sandarbha.

 

Shaunaka - um dos principais sábi s inúmeros universos da manifestação cósmica se equilibram tal como tantas e tantas sementes de mostarda.

 

Sita - a amada consorte do Senhor Ramachandra. Apareceu na casa de Janaka Maharaja, uma das doze principais autoridades espirituais no universo.

 

Shiva-linga - representação pétrea dos genitais do Senhor Shiva frequentemente adorada pelos shivaístas.

 

Shiva-puja - adoração do linga do Senhor Shiva. Vide também Shiva-linga.

 

Shiva-ratri - dia do aparecimento do Senhor Shiva, celebrando seu advento a partir das sobrancelhas do Senhor Brahma.

 

Skanda Purana - um dos dezoito Puranas. Descreve extensamente Kali-yuga.

 

Soma - deidade que preside a lua.

 

Sri-kantha - nome do Senhor Shiva significando "aquele cujo pescoço é de um lindo azul".

 

Srila Prabhupada - fundador-acharya da International Society for Krishna Consciousness (ISKCON) e renomado autor de mais de setenta livros sobre a ciência do puro bhakti-yoga, consciência de Krishna sem misturas. Suas principais obras são traduçöes com comentários para o inglês do Srimad-Bhagavatam, Sri Chaitanya-charitamrta, Bhagavad-gita.

 

Srila Suta Goswami - filho de Romaharshana. Foi o grande sábio que relatou o discurso entre Parikshit Maharaja e Sukadeva Goswami, que forma a base do Srimad-Bhagavatam. Vide também Naimisharanya.

 

Srimad-Bhagavatam - principal dos dezoito Puranas. Foi glorificado por Sri Chaitanya Mahaprabhu como amalam puranam, "o Purana mais puro". Foi escrito por Srila Vyasadeva como seu comentário ao Vedanta-sutra, e lida exclusivamente com tópicos referentes à Suprema Personalidade de Deus (o Senhor Krishna), e Seus devotos. Srila Prabhupada deu seus comentários Bhaktivedanta em inglês e o apresentou maravilhosamente ao mundo moderno.

 

Shudra - membro da quarta ordem social no tradicional sistema védico. Destina-se a prestar serviço às três classes superiores, ou seja brahmanas, kshatriyas, e vaishyas.

Sumeru - grande montanha situada no centro do universo. É a calota da quadriga do sol.

 

Surya - o deus do sol. Dizem ser o olho direito do Senhor Supremo.

 

Tamala - árvore cuja cor se assemelha à de Krishna. Encontrada mais em Vrndavana, India.

 

Tamo-guna - modo da ignorância, ou escuridão, controlado pelo Senhor Shiva.

 

Tantra - hinos especiais para conjurar magias ou produzir efeitos místicos.

 

Tilaka - marcas de argila colocadas na testa e outras partes do corpo para nos designar como seguidores de Vishnu, Rama, Shiva, etc.

 

Tirtha - local de peregrinação.

 

Trayodasi - décimo terceiro dia após a lua nova ou cheia.

 

Treta-yuga - geralmente a terceira, mas neste milênio a segunda das quatro eras do universo, seguindo a Satya-yuga. Nesta era o Senhor Ramachandra apareceu. Pessoas nesta era viviam dez mil anos. Dura 1.296.000 anos solares.

 

Trivikrama - nome do Senhor Supremo indicando Sua encarnação como o brahmana anão Vamanadeva. Significando literalmente "Aquele que deu três grandes passos", este nome lembra o passatempo do Senhor em que estendeu Seu pé através das coberturas do universo material e para dentro do Oceano Causal.

 

Triyugi - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que aparece nas três yugas" ou seja Satya, Treta, e Dvapara. O Senhor apareceu numa encarnação disfarçada na Kali-yuga, como Sri Chaitanya Mahaprabhu.

 

Tulasi - alfavaca sagrada muito querida por Sri Krishna. Vide também Manjari.

 

Urad Dal - lentilha branca rica em proteína.

 

Urugaya - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que recebe muitas oraçöes".

 

Vaikuntha - o reino transcendental, que fica além das coberturas do universo material. Literalmente, "o local sem ansiedade".

 

Vaisheshika - Vide Kanada.

 

Vaishnava - devoto de Vishnu, ou Krishna.

 

Vaishnavismo - a ciência de bhakti-yoga, serviço devocional a Vishnu, ou Krishna.

 

Vamadeva - grande sábio que competia com Gautama Rishi. Foi o secretário de Dasaratha Maharaja, pai do Senhor Rama.

 

Vamanadeva - encarnação do Senhor Supremo como anão brahmana. Vide também: Trivikrama.

 

Varanasi - um dos mais velhos e mais famosos lugares de peregrinação na India; também conhecido como Kashi e Benares. É um centro de filosofia impersonalista ou Mayavada. Aqui foi onde o Senhor Chaitanya derrotou Prakashananda Sarasvati, líder Mayavadi de sua época.

 

Varnashrama-dharma - sistema de quatro ordens sociais e espirituais estabelecido nas escrituras védicas e discutido por Sri Krishna no Bhagavad-gita.

 

Varuna - semideus que preside todos corpos d'água.

 

Vasishtha - grande sábio que era rival de Vishvamitra Muni. Era o sacerdote familiar de Maharaja Dasharatha, pai do Senhor Ramachandra.

 

Vasudeva - devoto que fez papel de pai do Senhor Krishna.

 

Vasundhara - nome da mãe terra que significa "aquela que possui ilimitada fortuna e solo fértil".

 

Vayu - deidade que preside o ar.

 

Veda - literalmente, "conhecimento". O sistema de sabedoria eterna compilado por Srila Vyasadeva, a encarnação literária do Senhor Supremo, para a gradual elevação de toda humanidade do estado de enredamento ao estado de liberação.

 

Vedanta-darshana - filosofia de Srila Vyasadeva, que culmina em bhakti-yoga.

 

Vibhishana - neto de Pulastya Muni e irmão piedoso de Ravana. Foi ferrenho devoto do Senhor Rama, que Lhe ofereceu o reino de Sri Lanka por quatro yugas. É uma das oito personalidades que vive por mais que um ciclo de quatro yugas.

 

Vimana - aeroplano.

 

Vindhyacala - cadeia montanhosa a oeste dos Himalayas. Vide também Agasthya Muni.

 

Vishnu - a Suprema Personalidade de Deus em Sua expansão de quatro braços.

 

Vishnu-dutas - servos pessoais do Senhor Vishnu; de aparência muito semelhante à Dele.

Vishnuloka - Vide Vaikuntha.

 

Vishnu-murti - a forma da Deidade do Senhor adorada no templo.

 

Vivasvan - o deus do sol.

 

Vrkodara - nome para Bhimasena significando "aquele que tem apetite voraz".

 

Vyasadeva - encarnação literária de Deus. Filho de Parasara, era um grande filósofo da antiguidade e compilador das escrituras védicas originais, inclusive os dezoito Puranas, Mahabharata, e Upanishads.

 

Yadava - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "Aquele que aparece na dinastia Yadu".

 

Yajna - sacrifício védico; também, nome do Senhor Supremo significando "personificação do sacrifício".

 

Yajur Veda - primeiro dos quatro Vedas. Descreve extensamente vários procedimentos médicos.

 

Yaksha - membro da classe de seres semidivinos que são seguidores de Kuvera, tesoureiro dos semideuses. Nasceram dos pés do Senhor Brahma.

 

Yamaraja - semideus encarregado da punição de entidades vivas pecaminosas. É o filho do deus do sol e irmão do sagrado rio Yamuna.

 

Yoga-maya - a energia interna, espiritual do Senhor Supremo, à qual a energia externa, maha-maya, se subordina.

 

Yogi - transcendentalista que pratica uma das muitas formas autorizadas de yoga, ou processos de purificação espiritual.

 

Yogina - nome da Suprema Personalidade de Deus significando "senhor de todos yogis e espiritualistas".

 

Yojana - medida védica padrão igual a oito milhas.

 

Yudhishthira - filho de Dharmaraja (Yamaraja) e mais velho dos irmãos Pandavas. A disputa sobre seu sucessor ao trono na India é que levou à batalha de Kurukshetra.

 

Yuga - uma das quatro eras universais. Vide também Satya-yuga, Treta-yuga, Dvapara-yuga e Kali-yuga.

 

* * *


ADENDO PELA TRADUTORA

 

UM CONTO SOBRE EKADASHI...

 

Bhadrashila

 

Havia um sábio chamado Galava que vivia às margens do rio Narmada. O filho de Galava se chamava Bhadrashila e era um jatismara. Bhadrashila era devotado a Vishnu. Mesmo na infância, tinha o hábito de fazer templos para Vishnu feitos de barro e adorava Vishnu. Contava a todo mundo sobre as virtudes de observar um vrata no ekadashi tithi (décimo primeiro dia da quinzena lunar).

 

Galava de fato estava muito feliz por seu filho ser devoto. Mas também se sentia ligeiramente mistificado. Disse para Bhadrashila: "Sou afortunado por ter um filho devoto. Teu caráter está além de qualquer censura e és devotado a Vishnu. Observas fielmente todos vratas. Como é que chegaste a adquirir estes traços?"

 

"Isso é porque lembrei das experiências de minhas vidas passadas" respondeu Bhadrashila. "Sou um jatismara. Lembro do que Yama me contou."

 

"Quem eras na outra vida?" perguntou Galava. "E o que foi que Yama te contou?"

 

Bhadrashila recontou a história.

 

Bhadrashila era um rei chamado Dharmakirti, nascido na dinastia lunar. Seu guru era o sábio Dattatreya. Por nove mil anos Dharmakirti governou a terra, realizando bons atos bem como más açöes. Mas perto do fim, atraiu-se pelo mal e cometia apenas pecados. Associava-se com pessoas más e seu punya acumulado gradualmente se esgotou. Dharmakirti abandonou a realização de yajnas; desviou-se do caminho prescrito pelos Vedas. Sugestionados por seu rei, os súditos também se tornaram maus. Um rei tem direito a um sexto dos proventos de seus súditos. Assim, Dharmakirti também recebeu o crédito por um sexto dos pecados de seus súditos.

 

Certo dia, o rei empreendeu uma caçada na floresta. Matou muitos veados e ficou com fome e sede. O rio Reva fluía através da floresta e Dharmakirti se banhou no rio. Mas não havia nenhum alimento. Enquanto isso, alguns peregrinos também chegaram até ali e estes estavam observando um vrata de ekadashi tithi. Os ritos envolviam jejuar e ficar acordado de noite. Junto com os peregrinos, Dharmakirti também jejuou e ficou acordado de noite. Porém o rei estava virtualmente morrendo de inanição por falta de alimento. Quando a madrugada raiou ele morreu de fome.

 

Os servos de Yama chegaram para levar Dharmakirti até Yama. Seus rostos eram terríveis. A jornada até a morada de Yama levou vários dias, porém eventualmente Dharmakirti chegou até lá e foi levado diante de Yama.

 

Chitragupta mantém um registro de todas boas açöes e pecados. Yama chamou Chitragupta e disse: "Dharmakirti foi levado até aqui. Conta-me qual o punya que acumulou e os pecados (papa) que cometeu."

 

"Este homem tem sido realmente mau" respondeu Chitragupta. "Contudo, acabou jejuando num ekadashi tithi. Seus pecados portanto, foram todos perdoados."

 

Yama convocou seus servos e começou a repreendê-los: "Que fizeram vocês?" reclamou. "Como ousam trazer uma pessoa tão santa diante de mim? Vocês já sabem que não é para trazer para punição pessoas que observam ekadashi vrata. Tampouco devem trazer aqueles que oram a Vishnu. Tais pessoas vão direto para o céu. Tragam para cá apenas os pecadores."

 

Yama repetiu para Dharmakirti o que dissera para seus servos e o rei se tornou penitente por seus maus atos anteriores. Tinha, no entanto, acumulado bastante punya devido a observar ekadashi vrata. Portanto começou a passar boa parte do tempo no céu, antes de nascer novamente como brahmana. É porque lembrava de todos esses incidentes que Bhadrashila era tão devoto. Compreendeu que como se podia obter tanto punya por observar inconscientemente o ekadashi vrata, então realmente seria grande o punya obtido por observar o rito conscientemente.

 

Galava considerava-se excessivamente afortunado por ser pai de tal filho maravilhoso. (extraído do Narada Purana por Vyasadeva)

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Danilo Nicolace [Nayana]

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